Uribe pede que Farc "cessem violência" para negociar acordo de paz

Os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Venezuela,  Hugo Chávez, durante encontro em  Caracas, nesta terça-feira (AFP)
Image caption Chávez afirmou que não é nem amigo nem inimigo da guerriha

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, voltou a afirmar nesta terça-feira que está disposto a negociar um acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) se o grupo guerrilheiro interromper suas atividades de violência durante quatro meses.

"Para que a paz não se converta em um engano, deve ser construída em bases firmes. Aqueles que querem a paz, que cessem suas atividades criminais por quatro meses", afirmou Uribe em entrevista coletiva em Caracas, onde se reuniu com seu colega venezuelano, Hugo Chávez.

"Queremos a paz de verdade, mas tememos que essa proposta de paz possa ser uma fraude, como no passado", disse. O presidente colombiano argumenta que as Farc utilizaram os processos de paz durante o governo de Andrés Pastrana, em 1999, para ampliar sua influência militar e não para acordar o fim do conflito armado. Uribe explicou que o abandono da luta armada é o fim, e não o ponto de partida de sua proposta. "Não exigimos que se comece com o desarmamento e a desmobilização, esses são os portos de chegada", acrescentou.

O presidente colombiano, no entanto, não deu de detalhes de como verificaria tal procedimento para acordar ou não um diálogo com a guerrilha.

O grupo rebelde ainda não respondeu à proposta de Uribe, lançada no início do mês. As Farc reivindicam a realização de uma "troca de prisioneiros" que prevê a libertação de 22 militares em troca da soltura de 500 guerrilheiros presos. "Nem amigo, nem inimigo"

Chávez recebeu Uribe no Palácio de Governo venezuelano com o livro do líder cubano Fidel Castro intitulado "A paz na Colômbia" nas mãos.

Ele comentou aos jornalistas que o livro traz algumas idéias que podem ser usadas pelo vizinho colombiano.

Na entrevista coletiva, porém, Chávez se limitou a apoiar as idéias de Uribe ao afirmar que elas podem ser uma "rota para a paz" para a Colômbia.

No ano passado, os dois líderes se envolveram em uma crise diplomática sem precedentes depois da decisão de Uribe de colocar fim à mediação de Chávez em um diálogo com a guerrilha para a libertação de reféns e após um bombardeio colombiano em um acampamento das Farc no Equador

A crise levou a uma ruptura de relações diplomáticas entre os dois países. Nesta terça-feira, o presidente venezuelano disse que "apesar dos pesares" está pronto para ajudar a Colômbia em um diálogo para o processo de paz e afirmou que "não apoia nem apoiaria" qualquer movimento armado.

"Não sou aliado das Farc, mas não sou inimigo das Farc, portanto, acredito que o que digo tem algum valor moral", afirmou.

Em janeiro, Chávez foi acusado presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de apoiar as Farc. Acordos

Chávez e Uribe realizaram nesta terça-feira sua segunda reunião neste ano.

Durante o encontro, os dois presidentes assinaram cinco acordos comerciais, entre eles, um que prevê a criação de um fundo binacional de US$ 200 milhões para estimular a cooperação econômica entre os dois países. De acordo com a Câmara de Comércio Colômbia-Venezuela, a balança comercial entre os dois países em 2008 foi de US$ 7,2 bilhões, com superávit de mais de US$ 6 bilhões para a Colômbia. Uribe viaja ainda esta noite para o Rio de Janeiro, onde participará, acompanhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da sessão inaugural da edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial.

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