Milhões de indianos vão às urnas para eleições parlamentares

Eleitoras fazem fila em seção eleitoral do Estado de Orissa (foto: Sanjib Mukherjee)
Image caption Ataques de maoístas prejudicaram pleito no primeiro dia

Milhões de eleitores em 17 Estados da Índia votaram nesta quinta-feira no primeiro dia das eleições para os 543 novos membros da Lok Sabha, a câmara baixa do Parlamento do país.

Os eleitores foram às urnas em 124 seções eleitorais em todo o país, incluindo áreas mais instáveis como o norte e o centro da Índia. O comparecimento teria sido bom, apesar de uma série de ataques de rebeldes maoístas.

Mesmo com uma imensa operação de segurança, envolvendo 2 milhões de agentes, os ataques mataram 21 pessoas, incluindo 12 seguranças que estavam protegendo as seções eleitorais.

No total, cerca de 714 milhões de eleitores devem comparecer aos 828.804 centros de votação espalhados por toda a Índia.

Por motivos logísticos, as eleições serão realizadas em cinco datas: 16 de abril, 23 de abril, 30 de abril, 7 de maio e 13 de maio.

Os resultados devem começar a ser divulgados no dia 16 de maio, e o novo parlamento toma posse no dia 2 de junho.

Previsões

Nenhuma das duas principais agremiações que disputam as eleições, o Partido do Congresso - que governou a Índia nos últimos cinco anos - e o hinduísta Partido Bharatiya Janata (BJP, na sigla em inglês) - que governou o país entre 1998 e 2004 -, deve conquistar a maioria das cadeiras no parlamento.

Isto deve fazer com que eles busquem apoio de partidos menores para tentar formar o novo governo do país.

Além disso, eles terão que disputar os votos com uma coalizão formada por agremiações de esquerda e partidos regionais que se intitula Terceira Frente, o que deve tornar as eleições ainda mais acirradas. Mesmo assim, os dois principais partidos já divulgaram os nomes de seus candidatos a primeiro-ministro. O candidato da coalizão liderada pelo Partido do Congresso é o atual premiê indiano, Manmohan Singh. Já o indicado pelo BJP é L. K. Advani.

Comparecimento

Segundo Sanjoy Majumder, correspondente da BBC na cidade de Varanasi, no Estado de Uttar Pradesh (norte do país), os números de comparecimento naquela região foram decepcionantes, apesar de um começo de votação mais movimentado.

Majumder afirma que o calor muito forte na região, a insatisfação com os candidatos e com os representantes que já foram eleitos em votações anteriores podem ser as razões para o baixo comparecimento.

No Estado de Jharkhand, no leste da Índia, seis soldados paramilitares foram mortos na explosão de uma mina terrestre que teria sido colocada por rebeldes maoístas, segundo a polícia.

Maoístas também atacaram zonas eleitorais nos Estados de Orissa e Bihar. Em Bihar, no nordeste indiano, dois seguranças foram mortos e duas eleitoras foram feridas à bala, segundo testemunhas. Os insurgentes saquearam máquinas de votação eletrônica e levaram quatro rifles da polícia.

A polícia afirma que em Orissa, no leste do país, insurgentes queimaram algumas máquinas de votação. Os rebeldes também bloquearam estradas na região.

Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli Chris Morris, os ataques foram incidentes isolados em áreas rurais distantes, mas, ainda assim, conseguiram fazer com que parte dos eleitores deixasse de votar.

Disputa

Os eleitores vão julgar nas urnas as políticas da coalizão liderada pelo Partido do Congresso, que governou o país nos últimos cinco anos.

Neste período, a Índia apresentou um rápido crescimento econômico, além de grandes investimentos na área social e em infraestrutura.

Mas a crise econômica abalou estes progressos, com um aumento nos níveis de desemprego e no custo de vida.

O premiê Manmohan Singh tem sido muito criticado pela oposição pela lentidão e pouco sucesso de suas reformas econômicas.

Por outro lado, a coalizão liderada pelo BJP apresenta uma plataforma focada na segurança interna da Índia, que tem preocupado grande parte da população principalmente após os ataques em Mumbai, no último mês de novembro, que deixaram 173 mortos.

O BJP acusa o governo de Singh de não ter agido de modo efetivo para combater militantes extremistas.

Além da ameaça de grupos extremistas islâmicos e hindus, a Índia também convive com a ameaça de grupos de extrema-esquerda de inspiração maoísta, os naxalitas, controlam um "corredor vermelho" que se estende da fronteira da Índia com o Nepal até a região central do país.

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