Brasil sairá da crise primeiro, diz Lula no Rio

Luiz Inácio Lula da Silva em discurso no Fórum Econômico Mundial para a América Latina
Image caption Para Lula mundo 'erro na dose de economia virtual'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o Brasil vai sair da crise primeiro que outros países.

"O Brasil entrou por último nesta crise, e vai sair primeiro e mais fortalecido", disse Lula na abertura do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, realizado no Rio.

Segundo Lula, a América Latina enfrenta grandes desafios, mas tem um potencial "extraordinário" para superá-los.

"Momentos de crise devem ser usados para saltos globais", disse.

Lula, que participa nesta sexta-feira da Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, disse que é importante que a cúpula "vire referência para discutir os problemas das Américas".

O presidente afirmou que a nova ordem mundial a ser construída a partir da superação da atual crise deve levar em conta a distribuição de renda.

Lula disse que está na hora de reconhecer que "o mundo contemporâneo errou na dose de economia virtual".

'Humildade'

O presidente afirmou que a reunião de líderes do G20, realizada no início do mês em Londres, foi a primeira em que "a humildade pairava no ar".

"Ninguém sabia de nada, ninguém era mais esperto do que o outro", disse.

Na reunião de Londres, os líderes do G20 chegaram a um acordo sobre a necessidade de reformas no sistema financeiro mundial e de injetar recursos no FMI, para que possa auxiliar os países mais pobres.

O presidente disse que o fato de o Brasil emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma grande alegria.

Segundo Lula, na medida em que seus criadores têm problemas, o FMI tem que "mudar completamente".

"É preciso ir além das mudanças emergenciais", disse. "Não dá para postergar soluções profundas", acrescentou sobre as reformas nos organismos internacionais.

O presidente voltou a falar da importância de se proteger empregos estimular a produção, e disse que a estatização de bancos, mesmo que temporária, não deve ser descartada por preconceito ideológico.

O presidente também voltou a criticar o protecionismo como forma de enfrentar a crise. "O protecionismo é como uma droga, oferece alívio imediato, mas logo laça a vítima em profundo estado de depressão", disse.

Uribe

A abertura do Fórum Econômico Mundial para a América Latina também teve a presença do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

Durante dois dias, líderes e empresários de 37 países presentes ao encontro vão discutir os impactos da crise econômica mundial na América Latina.

Na abertura do evento, os organizadores reforçaram o tom de otimismo apesar da crise.

Segundo Marcelo Bahia Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht, tanto o governo como as empresas estão bem preparados para enfrentar a crise.

Odebrecht disse que a crise representa uma oportunidade de realizar reformas há muito necessárias e investimentos em infra-estrutura essenciais para o crescimento sustentável dos países.

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