Diretor do FMI vê Brasil forte, mas com risco de retração

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn
Image caption Strauss-Kahn elogiou desempenho do Brasil frente à crise

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse nesta quinta-feira que o Brasil está reagindo bem à crise, mas que a economia do país deverá crescer pouco ou até sofrer uma retração neste ano.

''O Brasil provavelmente vai ter um crescimento pequeno neste ano, talvez até crescimento negativo, mas está implantando políticas positivas, tem reagido bem à crise e possui vastas reservas'', afirmou. Para Strauss-Kahn, a América Latina vem demonstrando ''uma resistência surpreendente'' à atual crise financeira global - superior, segundo ele, à demonstrada pela Europa Central.

O diretor do fundo acrescentou ainda que o órgão quer superar o ''estigma'' de que os empréstimos realizados pelo FMI estão condicionados à implementação de políticas sociais duras, como as receitadas no passado.

Crise asiática de 97

Strauss-Kahn fez uma autocrítica em relação à resposta do FMI à crise financeira que atingiu a Ásia em 1997.

Os pacotes de resgate oferecidos pelo fundo aos países asiáticos naquela ocasião foram condicionados à adoção de princípios econômicos neoliberais como cortes de gastos governamentais para reduzir déficits, aumento dos juros e o fechamento de instituições financeiras insolventes. Para o diretor do fundo, as medidas talvez pudessem ter sido implantadas ''com menos sacrifícios'', mas acrescentou que foi graças a elas que nações como a Coreia do Sul e a Indonésia estão hoje mais aptas a enfrentar a crise financeira global. Após o encontro do G20, realizado em Londres no início deste mês, os líderes dos países que integram o bloco (formado pelos países mais ricos do mundo e os principais emergentes) se comprometeram a destinar US$ 1 trilhão ao FMI, que seria usado para realizar novos empréstimos a países emergentes e a nações pobres. Segundo o titular do FMI, os países em desenvolvimento não devem se deixar intimidar pela imagem negativa associada aos empréstimos feitos pelo órgão no passado. Para Strauss-Kahn, os líderes dos emergentes não podem agir como ''o doente que se recusa a ir ao médico, porque se eles demorarem muito, será difícil se recuperar''.

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