Enviado dos EUA e chanceler israelense expõem divergências

Avigdor Lieberman (à esq.) e George Mitchell
Image caption Aperto de mão só ocorreu a pedido de fotógrafos

O emissário especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, e o novo ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, discordaram abertamente sobre o rumo que o processo de paz na região deve tomar.

Após encontro nesta quinta-feira em Jerusalém, onde Mitchell se reúne pela primeira vez com o novo governo eleito do país, o representante americano reiterou o apoio dos Estados Unidos à solução de criar um Estado palestino para "co-existir" com o Estado de Israel.

No entanto, Lieberman, conhecido por suas posições linha-dura quanto às relações de Israel com o mundo árabe, afirmou que são necessárias "ideias novas".

Segundo jornalistas presentes ao encontro, ao final Lieberman não se comportou como é de praxe no mundo diplomático e não acompanhou o emissário americano até seu carro. De acordo com os relatos, o aperto de mão na despedida entre os dois só ocorreu depois do pedido dos fotógrafos.

Sem concessões

Segundo o gabinete do ministro do Exterior, Lieberman disse a Mitchell que "as concessões feitas por Israel até agora levaram o processo de paz a um 'beco sem saída'".

"As únicas consequências foram a segunda guerra do Líbano e a operação em Gaza... Devemos procurar novas ideias para seguir com o processo político", afirmou o ministro.

Já o emissário americano reiterou a posição dos Estados Unidos em favor da criação de um Estado palestino ao lado de Israel e manifestou restrições contra o plano do novo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, de promover inicialmente uma "paz econômica".

"Do nosso ponto de vista, a necessidade de melhorias econômicas na Cisjordânia deve fazer parte das negociações com os palestinos", disse Mitchell a Lieberman.

"Esclareci ao ministro do Exterior que os Estados Unidos apoiam a solução de dois Estados para dois povos que vivam em paz: um Estado palestino que viva em paz ao lado do Estado de Israel judaico. Desejamos alcançar a paz na região", acrescentou o emissário.

A visita de Mitchell ocorre depois de uma troca de farpas entre representantes americanos e o novo chanceler israelense, que desde que assumiu o cargo, há duas semanas, deixou claro que se opõe a qualquer concessão territorial por parte de Israel.

No dia em que assumiu o cargo no Ministério das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman declarou que "concessões só vão trazer mais guerras".

Alguns dias depois, Lieberman também afirmou que "a conferência de Annapolis não tem validade para Israel", referindo-se a um encontro nos Estados Unidos, em 2007, no qual israelenses e palestinos se comprometeram a ampliar as negociações para a criação de um Estado palestino independente ao lado de Israel.

Ainda nesta quinta-feira, George Mitchell deverá se reunir com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

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