EUA 'saúdam abertura' de Cuba ao diálogo, diz Hillary

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton
Image caption Hillary Clinton saudou 'abertura' manifestada por Raúl Castro

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os Estados Unidos "saúdam a abertura" manifestada pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, de dialogar com o governo americano.

''Nós saudamos essa abertura. Estamos levando-a muito a sério'', afirmou a secretária de Estado, em visita à República Dominicana.

Na quinta-feira, Raúl Castro afirmou, durante visita à Venezuela, que os cubanos estão ''abertos a discutir tudo, quando eles quiserem, direitos humanos, liberdade de imprensa, prisioneiros políticos, tudo, tudo, tudo que eles queiram discutir''.

As afirmação de Hillary Clinton foi feita pouco antes de ela partir para Trinidad e Tobago, onde participará da Cúpula das Américas.

Uma possível aproximação entre americanos e cubanos deverá ser um dos temas dominantes da reunião e tem sido reivindicada por diferentes países do continente americano.

Restrições

No início desta semana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o fim de algumas das restrições a Cuba, que estavam em vigor desde o segundo mandato de seu antecessor, George W. Bush.

Obama decidiu abolir o limite de viagens a Cuba por parte de cubano-americanos, que era de apenas 15 dias e só podia ser feito uma vez a cada três anos, e decretou o fim de limites a remessas de dinheiro à ilha, que eram restritas a US$ 100.

O líder americano também autorizou empresas americanas de telecomunicações a obter licenças para operar em território cubano.

Mas ainda há poucas perspectivas de que o embargo econômico decretado pelos Estados Unidos em 1962 contra Cuba seja derrubado.

Políticos americanos de diferentes partidos vêm clamando por mais avanços por parte dos Estados Unidos nas relações com o com o país caribenho.

Enviado

O senador Richard Lugar, o representante da oposição republicana mais graduado do Comitê de Relações Exteriores do Senado, pediu que os Estados Unidos iniciem um diálogo direto com Cuba, indicando um enviado especial ao país.

Lugar pediu ainda que os americanos ponham fim a sua oposição ao ingresso de Cuba na Organização de Estados Americanos (OEA).

Outro senador, o democrata Chris Dodd, que também integra o Comitê de Relações Exteriores, apresentou um projeto de lei que permitiria a americanos viajar livremente a Cuba.

O presidente do Comitê de Finanças do Senado, o democrata Max Baucus, vem pedindo que os americanos normalizem relações comerciais e diplomáticas com os cubanos, o que, segundo ele, favoreceria os Estados Unidos.

''Eu peço que o presidente relaxe as restrições à venda de produtos agrícolas americanos a Cuba. Nós precisamos tornar mais fácil para os fazendeiros americanos vender seus produtos de alta qualidade'', afirmou Baucus.

Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto World Public Opinion, de Washington, mostrou que 69% dos americanos defendem o restabelecimento de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba e que 49% querem o fim do embargo contra a ilha.

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