Ban Ki-moon abre reunião antirracismo e se diz 'decepcionado' com boicote

Ban Ki-moon
Image caption Ban Ki-moon abriu a conferência em Genebra

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse na abertura de uma conferência sobre racismo em Genebra, na Suíça, estar "profundamente decepcionado" com o boicote promovido por vários países ao encontro, visto por alguns como um palco para a promoção de anti-semitismo.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que negou publicamente a existência do Holocausto, deverá fazer um discurso no encontro, que dá prosseguimento à primeira conferência da ONU em Durban, há oito anos, que terminou em desavenças.

Na ocasião, vários países tentaram, sem sucesso, que a conferência equiparasse sionismo a racismo. Várias ONGs também foram acusadas de fazer declarações antissemitas.

Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Canadá, Israel, Itália, Holanda e Nova Zelândia estão boicotando o encontro. França e Grã-Bretanha participam, mas a Grã-Bretanha não enviou nenhum representante de alto escalão.

"Chocada"

Neste ano, os representantes de muitos países ocidentais se mostraram incomodados pelo fato de a conferência abrir espaço para um discurso de Ahmadinejad, o único líder de porte a aceitar o convite para o fórum.

Sua presença na conferência sobre racismo causou indignação em Israel e nervosismo dentro da própria ONU, segundo a correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes.

Se Ahmadinejad usar a conferência para repetir os ataques a Israel, ou mesmo para negar o Holocausto, poderá causar sérios danos ao evento, que a ONU esperava vir a ser um exemplo de união internacional contra a discriminação, afirma Foulkes.

O papa Bento 16 também se pronunciou a favor da conferência, afirmando que é uma oportunidade para lutar contra a discriminação e a intolerância.

"Pedimos ação firme e consistente, em nível nacional e internacional, para evitar e eliminar qualquer forma de discriminação e intolerância", disse o pontífice.

O rascunho da declaração final, que vem causando intenso debate, foi diluído para remover todas as referências a Israel e o Oriente Médio.

Mas, a pedido dos países do Oriente Médio, o documento ainda contém uma cláusula sobre a incitação de ódio religioso, que muitos países ocidentais veem como uma restrição à liberdade de expressão.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que a linguagem anti-Israel no rascunho final, que segundo ele é "hipócrita e contraproducente" em vários trechos, foi a gota d'água que levou seu governo a boicotar o encontro.

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