FMI prevê maior retração global desde a depressão de 29

Image caption O comércio global deve diminuir 11% este ano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia global irá sofrer contração de 1,3% e que a situação atual representa "de longe a mais profunda recessão desde a Grande Depressão'', de 1929.

A conclusão consta do relatório Global Economic Outlook (Perspectiva Econômica Global), divulgado nesta quarta-feira pelo FMI.

A Grande Depressão foi a maior crise financeira global da história e, assim como a crise atual, teve início nos Estados Unidos. Mas seus efeitos, que em algumas nações se prolongaram por mais de uma década, foram bem mais intensos que o da atual turbulência.

A crise de então, que começou após um súbito crash de Wall Street, em 1929, chegou a provocar uma queda de 30% do PIB americano e um desemprego de 25% nos Estados Unidos. O índice atual de americanos desempregados é de 8,5%.

Crédito

A estimativa atual do FMI é bem pior do que a projeção feita em janeiro pelo fundo, de que a economia mundial cresceria, ainda que a uma taxa ínfima, de 0,5%.

A previsão de crescimento dos países ricos é ainda pior. A estimativa para este ano é de - 3,8% e a avaliação do órgão é que em 2010 as nações mais desenvolvidas não terão qualquer crescimento.

Os Estados Unidos, onde a atual crise financeira teve origem, deverá encolher a um índice de 2,8%, de acordo com o fundo, e não apresentará qualquer crescimento no ano que vem.

Outras grandes economias também deverão sofrer retração, como a Alemanha (5,6%), Japão (6,2%), Itália (4,4%) e a Grã-Bretanha (4,1%).

O fundo estima ainda que as perdas representadas pela crise de crédito poderão alcançar um total de US$ 4 trilhões e que bancos em diferentes países deverão necessitar de uma quantia adicional de US$ 1,7 trilhão.

Há um ano, o FMI avaliava que o total em perdas estava na faixa de US$ 1 trilhão, o que demonstra a rapidez com que a crise vem se intensificando.

Comércio

As perspectivas para o comércio mundial também são sombrias. O FMI prevê um declínio comercial geral de 11% para este ano.

A queda vertiginosa na área comercial, que até recentemente foi o motor das finanças globais, está atingindo fortemente grandes nações exportadores, especialmente na Ásia.

O fundo também afirma no relatório que, devido ao declínio em preços de commodities, alguns dos principais países exportadores da América Latina estarão entre os que mais sofrerão os efeitos da crise na região.

Para o México, por exemplo, o FMI prevê que a economia vai encolher a um índice de 3,7%. O Brasil, segundo o FMI, sofrerá retração de 1,3%.

Clique aqui para ler sobre as perspectivas de crescimento do FMI para a economia brasileira.

''O Brasil, assim como outros países da América Latina, está sofrendo com múltiplos choques, como o de preços de commodities de produtos que o Brasil exporta, o endurecimento de condições financeiras, e a desaceleração do comércio global'', disse Charles Collyns, vice-diretor de pesquisa do fundo, durante entrevista coletiva que apresentou as conclusões do relatório.

Mas Collyns acrescentou que ''há sinais de alguns avanços no primeiro trimestre, em parte porque o governo brasileiro está adotando políticas macroeconômicas para responder a esses choques, procurando atenuar a situação fiscal, a parte fiscal e introduzindo cortes de taxas de juros razoavelmente agressivas''.

O FMI crê que através da aplicação de políticas macroeconômicas e financeiras apropriadas o crescimento poderá ser retomado, mas só a partir de 2010.

Mas, mesmo assim, afirmou o economista-sênior do fundo, Olivier Blanchard, o crescimento permaneceria ''a uma taxa inferior a 2%, bem abaixo daquele que julgamos ser normal''.

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