FMI dobra limite de empréstimos para países mais pobres

Image caption Strauss-Kahn disse que a imagem do FMI começa a melhorar

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta quinta-feira que irá dobrar o limite de empréstimos que podem ser feitos por seus países-sócios mais pobres.

A medida contemplará um total de 78 nações que integram o chamado Programa de Redução de Pobreza e Auxílio ao Crescimento do FMI, que oferece empréstimos a juros baixos.

"Desta forma, iremos multiplicar por dois a nossa capacidade de ajudar nossos membros" afirmou o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, durante coletiva realizada nesta quinta-feira, por ocasião da reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, que começa neste final de semana.

O fundo também aprovou a criação do que o fundo batizou de Linha de Crédito Flexível (FCL, na sigla em inglês), que, de acordo com Strauss-Kahn, difere de práticas antigas do fundo, de exigir mudanças em políticas econômicas por parte das nações contempladas com empréstimos.

O motivo, segundo ele, é que o FCL "não possui pós-condições, ou seja, nós concordamos com o país (que recebe a linha de crédito) que a única coisa que pedimos deles é que implementem essas políticas, não que modifiquem políticas que já estão sendo implementadas".

Os países já contemplados pelo FCL foram México, Polônia e Colômbia. De acordo com Strauss-Kahn, os novos empréstimos foram muito bem recebidos pelos mercados e pela opinião pública destes países, "o que mostra que parte do estigma em lidar com o FMI, se foi. Eu digo apenas parte do estigma, mas já é um começo''.

''Longe do fim''

Strauss-Kahn afirmou que a crise ainda está "longe do fim", mas que é possível uma recuperação em 2010 que dependerá da implantação de políticas macroeconômicas e fiscais apropriadas e do saneamento dos sistemas financeiros.

O diretor do fundo afirmou que a recuperação terá de se dar, necessariamente, pelos Estados Unidos e os países mais ricos e, assim impulsionar as demais regiões, entre elas a América Latina.

"Eu já disse que a recuperação na América Latina poderá acontecer bem rapidamente, mas depois que a recuperação se der nas economias mais ricas. O começo da recuperação tem de vir dos Estados Unidos."

Em relação ao desempenho econômico que o FMI prevê para o Brasil neste ano, uma contração de 1,3%, ele diz que é "negativo, portanto é baixo, mas não é tão baixo se você levar em conta que há uma contração global".

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