OMS: Gripe suína pode virar pandemia

População usa máscaras cirúrgicas no México
Image caption A população tenta evitar a contaminação usando máscaras

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que a nova variedade do vírus da gripe suína identificada no México é grave e tem o potencial de virar uma pandemia.

A organização anunciou neste sábado depois de uma reunião em Genebra que o surto da doença é uma emergência de saúde pública internacional.

A secretária da OMS, Margaret Chan, fez um apelo para que os governos ao redor do mundo fiquem em alerta.

"Trata-se de uma situação séria que deve ser observada atentamente", disse Chan, que interrompeu uma viagem a Washington para se reunir com um comitê especial em Genebra.

"Os vírus causadores das infecções em algumas partes do México e em algumas partes dos Estados Unidos são geneticamente iguais. Esta é uma variação do vírus H1N1 e tem potencial para causar uma pandemia, pois está infectando pessoas. No entanto, não podemos falar, baseados nas atuais provas de laboratório, epidemiológicas e clínicas, se teremos ou não uma pandemia", acrescentou.

Depois do encontro de emergência na sede da Organização, a secretária disse ainda que a o vírus da doença permanece imprevisível.

De acordo com as últimas informações oficiais, foram registrados ao menos 1.004 casos da gripe suína, com 68 vítimas fatais.

Vigilância

Segundo a correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes, a decisão da OMS de declarar o surto da doença no México como uma emergência de saúde pública internacional significa que todos os países agora precisam aumentar a vigilância em relação à gripe suína.

A organização quer que os países membros observem especificamente sintomas pouco comuns de gripe ou pneumonia que ocorrem fora da estação onde estas doenças são normalmente registradas, principalmente entre jovens adultos - o grupo mais afetado no México.

No entanto a OMS ainda não elevou o nível de alerta de pandemia global, que permanece no nível normal, três. A organização afirma que precisa de mais informações antes de tomar a decisão.

De acordo com Imogen Foulkes, o tipo do vírus da gripe suína que afetou o México é novo e, por isso, ainda pouco estudado.

Escolas fechadas

O governo do México determinou que museus, bibliotecas, escolas e universidades na região da capital do país, Cidade do México, fossem fechadas para evitar mais contaminação.

O ministro da Saúde, José Córdova, fez um pronunciamento em rede nacional pedindo à população que evite a contaminação pela doença e recomendou que as pessoas evitem lugares lotados e algumas formas de contato físico.

Image caption Soldado distribui máscaras para motoristas na Cidade do México

A população está usando máscaras cirúrgicas numa tentativa de evitar a contaminação e todos os eventos públicos foram cancelados. Dois importantes jogos de futebol ocorreram sem a presença do público.

A gripe suína é diagnosticada apenas em porcos ou em pessoas que têm contato regular com estes animais.

Córdova afirmou que a nova variante da gripe suína parece ter sofrido uma mutação nos porcos e foi transmitida para humanos.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos as autoridades informaram que cerca de 200 crianças faltaram de uma escola do Queens, em Nova York, na sexta-feira. Elas estariam doentes.

Oito das nove amostras retiradas das crianças seriam prováveis casos de gripe suína, de acordo com o comissário de saúde da cidade de Nova York Thomas Frieden.

Nenhuma das 200 crianças precisaram ser internadas e muitas já se recuperaram.

Outras seis pessoas ficaram doentes na Califórnia e duas no Texas, apenas uma precisou ser internada e todas já se recuperaram.

Autoridades de saúde do Estado do Kansas também confirmaram dois casos de gripe suína.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) afirmou que não espera conter o vírus da gripe suína. Centenas de milhares de pessoas viajam entre o México e Estados Unidos todos os anos.

De acordo com o correspondente da BBC em Washington Jon Donnison já começam a circular boatos de ocorrências da doença.

Anne Schuchat, do CDC, disse em uma entrevista que o centro não seria capaz de conter o vírus e que trabalharia para tratar dos infectados, acrescentando que ainda não se sabe a razão de a doença parecer mais grave no México do que nos Estados Unidos.

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