Correa diz que Equador decidirá se avança ou 'volta ao passado'

O presidente do Equador, Rafael Correa
Image caption Correa disse que equatorianos tem opção de avançar ou voltar ao passado

Em busca da reeleição nas eleições deste domingo, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse que os equatorianos decidirão nas urnas entre "voltar ao passado" ou "continuar com as mudanças" encabeçadas por ele.

"Em nossas mãos está [a decisão de] voltar ao passado ou continuar com a mudança, com o futuro, continuar na busca de nosso destino", afirmou Correa logo depois de votar em uma escola em Quito, capital do país.

Defensor do chamado "Socialismo do Século 21", que tem entre seus ideólogos o venezuelano Hugo Chávez, Correa disse que, com uma vitória, "continuaremos construindo a Pátria Grande que sonhou Símon Bolívar", herói da independência da América Latina hispânica.

Irregularidades

De acordo com pesquisas de intenção de voto, Correa pode ser reeleito ainda no primeiro turno. Em segundo lugar chegaria o ex-presidente Lúcio Gutiérrez, do partido Sociedade Patriótica, que se queixou na manhã deste domingo de supostas irregularidades na campanha eleitoral.

"O governo continuou fazendo propaganda, o que é proibido pela lei e pela Constituição. O governo fez ligações telefônicas para as residências com a voz de Rafael Correa pedindo voto", afirmou Gutierrez ao deixar o centro de votação, também em Quito.

A campanha eleitoral terminou oficialmente à meia-noite da quinta-feira.

A missão de observação da Organização de Estados Americanos (OEA), por sua vez, elogiou a organização da eleição ao qualificá-la como de "bom nível".

"Estamos diante de eleições bem organizadas", afirmou Enrique Correa, representante da OEA.

Outros seis candidatos disputam a Presidência, entre eles o rico empresário Álvaro Noboa, do partido Renovador Institucional de Ação Nacional (direita), candidato pela quarta vez consecutiva.

Espera-se que mais de 10 milhões de equatorianos compareçam às urnas neste domingo, para eleger, além do presidente, centenas de candidatos à cargos públicos, entre eles prefeitos, vereadores e parlamentares. Assembléia

Há uma grande expectativa neste domingo sobre se Correa e seu partido, o Aliança País, conseguirão a maioria das 124 cadeiras do novo Parlamento.

Se conquistar a maioria legislativa e, se for reeleito, Correa abrirá caminho para implementar as mudanças previstas na nova Constituição, que, entre outros aspectos, prevê a ampliação do poder do Estado em setores da economia considerados estratégicos.

Para analistas, com uma maioria parlamentar, o presidente garantirá certa instabilidade interna para enfrentar a crise econômica internacional.

Instabilidade

Durante a campanha eleitoral, Correa, que é economista, atacou seus adversários acusando-os de defender o modelo econômico neoliberal, que, segundo ele, teria responsável por uma década de instabilidade política e social no país andino.

O presidente equatoriano e as demais autoridades que hoje governam iniciaram seus mandatos em janeiro de 2007. No entanto, as eleições gerais foram antecipadas por determinação da causa da nova Constituição, aprovada em referendo em outubro do ano passado.

Os primeiros resultados de boca-de-urna devem ser divulgados minutos depois do encerramento da eleição 17horas, horário local (19 hrs, horário de Brasília). Alguns resultados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) com uma pequena margem de apuração podem ser divulgados até duas horas depois do final da votação.

Pela primeira vez na história do país, policiais, militares, presos que ainda não foram sentenciados, jovens a partir dos 16 anos e estrangeiros residentes no Equador poderão votar.