Equador: boca-de-urna aponta vantagem de Correa

Rafael Correa fez pronunciamento após saber resultados de boca-de-urna
Image caption Rafael Correa fez pronunciamento após saber resultados de boca-de-urna

Pesquisas de boca-de-urna divulgadas no início da noite de domingo indicam que o presidente do Equador Rafael Correa está na frente na disputa eleitoral do país, com 54% dos votos, o que garantiria sua reeleição.

O ex-presidente Lúcio Gutiérrez, deposto em 2005, teria ficado em segundo com 31% dos votos segundo as pesquisas.

Em terceiro aparece o rico empresário bananeiro Álvaro Noboa, com 8% dos votos, de acordo com pesquisas divulgadas por emissoras locais de televisão.

Se confirmada pelo Conselho Nacional Eleitoral, se trata da quinta vitória do governo desde que Correa chegou à Presidência do país andino, há dois anos.

Ao declarar-se vencedor, Correa disse que os equatorianos "fizeram história" neste domingo ao reeleger o presidente ainda no primeiro turno, depois de uma década de instabilidade política no país.

"Essa revolução está em marcha e nada nem ninguém a deterá (...) Hoje se ganha em primeiro turno, é algo inédito, um fato histórico", afirmou Correa minutos depois do anúncio dos resultados das primeiras pesquisas de boca-de-urna.

"Estamos aqui pelos pobres, nossa opção, que ninguém tenha dúvida, nosso compromisso é erradicar a miséria, fazer um país mais justo e equitativo", disse o mandatário em Quito.

Defensor do "socialismo do século 21", a base de apoio de Correa provém de diferentes classes sociais, diferente do que acontece na Bolívia e Venezuela, cuja base fundamental de apoio são os pobres.

Correa disse que está aberto ao diálogo com seus adversários, "mas com aqueles que busquem o bem do país", ao negar que exista polarização no país.

"Sempre será muito mais o que nos une, do que o que nos separa. Convidamos a todos a fazer acordos políticos pragmáticos", afirmou.

Lúcio Gutiérrez, por sua vez, disse que as pesquisas de boca-de-urna podem falhar e orientou seus partidários a continuarem "vigiando o voto".

"Não abandonem o controle dos votos, isso é uma guerra informativa (...) não vamos abandonar a luta", afirmou Gutiérrez a um grupo de jornalistas.

Poder do Estado

Há uma grande expectativa neste domingo sobre se Correa e seu partido, o Aliança País, conseguirão a maioria das 124 cadeiras do novo Parlamento, com a qual Correa deve avançar na consolidação de seu projeto de "revolução cidadã".

Se Rafael Correa conquistar a maioria no Parlamento e, se for reeleito, ele abrirá caminho para implementar as mudanças previstas na nova Constituição, que, entre outros aspectos, prevê a ampliação do poder do Estado em setores da economia considerados estratégicos.

Para analistas, com uma maioria parlamentar, o presidente garantirá certa estabilidade interna para enfrentar a crise econômica internacional.

Durante a campanha eleitoral, Correa, que é economista, atacou seus adversários acusando-os de defender o modelo econômico neoliberal, que, segundo ele, teria sido responsável por uma década de instabilidade política e social no país andino.

O presidente equatoriano e as demais autoridades que hoje governam iniciaram seus mandatos em janeiro de 2007. No entanto, as eleições gerais foram antecipadas por determinação da nova Constituição, aprovada em referendo em outubro do ano passado.

Pela primeira vez na história do país, policiais, militares, presos que ainda não foram sentenciados, jovens a partir dos 16 anos e estrangeiros residentes no Equador puderam votar.