Líbano liberta generais suspeitos pela morte de ex-premiê

Image caption Samar, esposa de Ali Hajj, comemora a notícia desta quarta-feira

As autoridades do Líbano libertaram nesta quarta-feira quatro generais libaneses suspeitos de envolvimento na morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, há cerca de quatro anos.

A medida segue determinação do Tribunal Especial para o Líbano, em Haia, na Holanda, dois dias depois de um promotor responsável pelas investigações, Daniel Bellemare, anunciar que não havia provas contra os generais Mustafa Hamdan, Jamil Sayyed, Ali Hajj e Raymond Azar.

Os militares chefiavam as quatro maiores agências de inteligência e segurança do Líbano na época do atentado à bomba que matou Hariri e seus guarda-costas em Beirute em fevereiro de 2005.

Eles estavam presos há quase quatro anos, sem acusações formais, na maior prisão do Líbano, em Roumieh, ao norte de Beirute.

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A decisão do tribunal foi transmitida ao vivo para os canais de televisão libaneses e também pela internet.

"O promotor considera que as evidências disponíveis atualmente não têm credibilidade suficientes para manter os generais em custódia. Baseado nisso, e no fato de que as pessoas são presumivelmente inocentes, o promotor acredita que não há necessidade para mantê-los detidos", anunciou o juiz.

De acordo com Fransen, os generais não podiam ser enquadrados a esta altura das investigações nem como suspeitos nem como acusados.

O juiz também anunciou que uma testemunha-chave recuou em seus depoimentos após ter inicialmente incriminado os generais, causando uma reviravolta no caso.

Fransen instruiu as autoridades libanesas a "tomar imediatamente todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos generais e soltá-los sem atrasos".

Logo após a decisão, o ministro da Justiça libanês, Ibrahim Najjar, anunciou que o Líbano implementaria a vontade do tribunal da Nações Unidas.

Histórico

Hariri foi assassinado, juntamente com outras 22 pessoas, em uma violenta explosão em 14 de fevereiro de 2005, causando uma comoção nacional.

A morte desencadeou uma crise política e pressão internacional que culminou com a retirada das tropas sírias do Líbano após 29 anos de ocupação militar.

Image caption Após o anúncio, houve comemorações no sul de Beirute, reduto do Hezbollah

Na época, uma investigação inicial de uma comissão da ONU indicou que havia evidências de que serviços de inteligência da Síria e do Líbano estavam ligados à morte de Hariri.

A Síria negou veementemente qualquer envolvimento com o atentado.

Os generais Mustafa Hamdan, ex-diretor da guarda presidencial, Jamil Sayyed, diretor dos serviços de segurança, Ali Hajj, o chefe da segurança interna, e Raymond Azar, chefe da inteligência militar, foram presos, causando polêmica no país.

O Hezbollah e seus aliados, pró-Síria, acusaram o governo libanês de agir com motivação política ao deter os quatro generais.

A decisão do tribunal de soltar os generais se deu na semana em que o país comemora os quatro anos da retirada síria do Líbano, no dia 26 de abril.

Após o anúncio em Haia, vários tiros de comemoração foram ouvidos nos subúrbios ao sul de Beirute, reduto do Hezbollah.

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