Para analistas, postura de Obama mostra EUA menos aliado a Israel

Obama e o rei Abdullah na Casa Branca
Image caption O rei Abdullah, da Jordânia, foi o primeiro líder do Oriente Médio a visitar o presidente Obama

As posturas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em relação ao conflito entre israelenses e palestinos fez com que ele fosse recebido mais positivamente no mundo árabe nestes primeiros cem dias de seu governo, segundo analistas.

Especialistas entrevistados pela BBC Brasil disseram que as primeiras ações do governo Obama foram capazes de mudar a imagem que seu predecessor, George W. Bush, deixou de que os Estados Unidos seriam fortemente pró-Israel.

"A política externa americana está sendo reformulada. Pela primeira vez, vejo uma clara diferença de visão entre Estados Unidos e Israel", afirmou o escritor e analista político jordaniano Nasouh Majali.

Em sua recente visita à Jordânia, Obama reiteirou o compromisso americano de defender a criação de um Estado palestino independente ao lado de Israel, e declarou que pretendia convidar o primeiro-ministro israelense Benyamin Netanyahu, o presidente palestino Mahmoud Abbas e o egípcio Hosni Mubarak para conversas separadas no mês que vem em Washington.

Gesto simbólico

A iniciativa poderia ser o maior esforço americano por um acordo de paz desde a Conferência de Anápolis, em 2007, o encontro de Camp David, em 2000, ambos nos EUA, e o de Taba, no Egito, em 2001.

"Todos fracassaram porque os Estados Unidos estavam alinhados com apenas um lado: o israelense. O último grande esforço americano de sucesso foi o do ex-presidente Jimmy Carter, que culminou com o acordo de paz entre Egito e Israel", disse o analista político Fares Breizat.

Para ele, Obama está levando em conta a visão de que os Estados Unidos deverão em algum ponto impor um acordo a árabes - especialmente os palestinos - e israelenses, ao invés de esperar por uma vontade dos dois lados.

Em seu primeiro dia como presidente, ainda em janeiro, Obama telefonou para o presidente palestino Abbas antes de falar com o então primeiro-ministro israelense Ehud Olmert.

Segundo analistas, foi um gesto simbólico que teve a intenção de mostrar que ele buscava ser um mediador mais neutro que seus predecessores, além de se tornar mais envolvido na questão do Oriente Médio já a partir do primeiro dia.

"Claro que ainda há muito o que fazer, mas este gesto de Obama já fez a diferença, mostrando uma disposição por uma nova ideia no que tange à paz na região. Isso por si só já agradou aos árabes em geral", enfatizou Breizat.

Momento

Recentemente, o novo governo israelense rejeitou os processos de paz anteriores, adotando uma posição linha-dura.

O primeiro-ministro, Benyamin Netanyahu, e seu ministro do Exterior, Avigdor Lieberman, se recusam reconhecer a criação de um Estado palestino, assim como a ceder terras em troca de paz, causando um temor de que o novo governo israelense possa entrar em rota de colisão com o governo Obama.

Segundo Mohammad Momani, professor de Ciência Política da Universidade Yarmouk, na Jordânia, a posição israelense de rejeitar um Estado palestino está sendo exposta ao resto do mundo e que os árabes, agora, deveriam criar uma posição unificada que colocaria Israel sob pressão diante da comunidade internacional e dos Estados Unidos de Obama.

"É importante não dar a Israel qualquer desculpa para minar a determinação americana de conseguir a paz", afirmou.

Momani disse ainda que os árabes deveriam envolver os grupos pró-Israel americanos neste processo de discussão, para que eles pressionassem o país a aceitar a inciativa americana.

Para Freizat, no entanto, mais trabalho deveria ser feito junto à opinião pública dos Estados Unidos para que se criasse um equilíbrio na política do país entre israelenses e árabes.

"Os árabes deveriam aproveitar essa política menos parcial americana para criar um lobby mais forte e persistente em Washington, já que Obama ofereceu um sinal mais positivo".