Moradores da capital causam medo de contaminação em outras partes do México

Image caption Alguns moradores da capital mexicana foram à Acapulco no feriado.

Diante da epidemia de gripe suína que se espalha pelo México, moradores de algumas cidades de veraneio do país estão com medo de receber turistas vindos das áreas mais afetadas durante o feriado prolongado que termina na terça-feira.

O Chefe do Governo do Distrito Federal, Marcelo Ebrard, lamentou os casos e afirmou que "quando há medo aflora o racismo, a exclusão e a agressão".

"Quando teve a gripe aviária na Ásia, não nos dedicamos a perseguir pessoas de origem asiática", disse, durante coletiva de imprensa na sexta-feira.

Alguns moradores da capital mexicana preferiram ignorar os pedidos do presidente da República, Felipe Calderón, para que ficassem em casa e viajaram.

O prefeito de Acapulco, Manuel Añorve Baños, pediu aos cidadãos que tolerem os turistas e que os moradores do Distrito Federal e do Estado do México evitem este destino caso apresentem sintomas da gripe.

"Sejamos responsáveis. Quem estiver gripado que não venha a nossos centros turísticos. Fiquem em casa e digam às suas famílias que se cuidem", disse ele.

Os hotéis de Acapulco estão funcionando, mas restaurantes, bares e discotecas estão obrigados a manter suas portas fechadas.

Pedradas

Em San Luis Potosí, cidade onde muitos moradores apresentaram sintomas de gripe, as autoridades municipais também pediram aos hotéis locais que cancelassem reservas de visitantes procedentes das áreas onde se registraram mais mortes.

Na quarta-feira, quatro automóveis e dois ônibus provenientes do Distrito Federal, localidade que registra 11 das 15 mortes decorrentes da gripe, foram atacados a pedradas por um grupo ainda não identificado nas proximidades de Acapulco.

O governo acredita que a agressão possa estar relacionada com o medo da epidemia e investiga os casos.

Futebol

No esporte, os mexicanos também estão sofrendo as conseqüências de viverem no centro da epidemia da gripe suína.

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decidiu adiar em uma semana as partidas de times mexicanos na Taça Libertadores. Os locais das partidas de ida entre Chivas e São Paulo e San Luis contra Nacional, do Uruguai ainda estão indefinidos.

Para não jogar no México, cogitou-se a realização das partidas na Colômbia e no Chile, mas não houve acordo.

Na noite de quarta-feira, o zagueiro mexicano Héctor Reynoso, do Chivas, tossiu no rosto do argentino Penco, do Everton-CHI, durante jogo válido pela última rodada da Taça Libertadores.

Segundo Reynoso, durante todo o jogo os argentinos chamaram os mexicanos de leprosos e disseram que eles estavam infectados.

Os mexicanos também vêm sendo alvo de piadas e discriminação em alguns países. Em entrevista a programas de TV locais, alguns mexicanos residentes nos Estados Unidos disseram que, nas ruas daquele, muitas pessoas mudam de calçada para evitá-los com medo da gripe suína.

Em alguns países europeus, a doença vem sendo chamada de "gripe mexicana" - o que, segundo o Ministro da Saúde do México, José Córdova, é um termo errado. "O genoma é euro-asiático", disse.

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