Influência de China e Irã na América Latina é 'inquietante', diz Hillary

Hillary Clinton (arquivo)
Image caption Hillary Clinton diz que EUA não podem isolar líderes como Hugo Chávez

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta sexta-feira que a influência da China e do Irã nos países da América Latina é "inquietante".

Segundo Hillary, países como a China, a Rússia e o Irã estão progredindo na América Latina, estabelecendo relações próximas com líderes que foram hostis a Washington durante o governo do presidente George W. Bush.

"Na verdade, se você analisar os ganhos, particularmente na América Latina, que o Irã conseguiu, que a China conseguiu, é muito inquietante. Eles estão construindo fortes conexões econômicas e políticas com muitos destes líderes", disse Hillary a funcionários da chancelaria reunidos no Departamento de Estado, em Washington.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por exemplo, vem ao Brasil no próximo dia 6, em uma visita que já gerou protestos por parte de Israel.

A secretária disse que as tentativas do governo Bush de isolar líderes da América Latina que são contra os Estados Unidos apenas os tornou mais receptivos a outras potências internacionais.

"O governo anterior tentou isolá-los, tentou dar apoio à oposição, tentou transformá-los em párias internacionais. Não funcionou", disse.

"Este é um mundo multipolar no qual estamos competindo pela atenção e relacionamento com, pelo menos, os russos, os chineses e os iranianos", afirmou Hillary."Não acho que é do nosso interesse virar as costas para países que estão no nosso hemisfério."

Chávez e Cuba

A secretária de Estado também defendeu as tentativas do governo do presidente Barack Obama de reverter os problemas nas relações diplomáticas com vários países da América Latina, incluindo a Venezuela do presidente Hugo Chávez (que tem um discurso antiamericano), Cuba e Bolívia.

Hillary Clinton lembrou que os Estados Unidos estão enfrentando "quase que uma frente unida contra os Estados Unidos no que diz respeito a Cuba".

"Cada país, mesmo aqueles que são mais próximos, afirma 'vocês têm de mudar. Vocês não podem continuar fazendo o que estão fazendo'. Nós gostaríamos de ver alguma reciprocidade dos Castro em (questões como) prisioneiros políticos, direitos humanos e outras questões", afirmou.

"Então, estamos analisando uma série de relacionamentos diferentes e tentando descobrir onde podemos ser mais produtivos. Meu ponto principal é o que é melhor para a América", disse.