Propagação da gripe suína não é sustentada, diz OMS

Cidade do México
Image caption México viverá paralisação de cinco dias para conter surto de gripe suína

A gripe suína não está se propagando de maneira sustentadal, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O diretor de Alerta e Resposta Global do órgão, Michael Ryan, elogiou neste sábado a forma como os países europeus estão lidando com os casos da doneça e disse que o surto não parece estar fora de controle.

"No atual momento eu ainda diria que uma pandemia é iminente porque nós estamos vendo a doença se espalhar", disse Ryan. Mas ele ressaltou em seu briefing diário na sede da OMS, em Genebra: "Nós não temos indícios de uma proliferação sustentada fora da América do Norte."

As autoridades mexicanas revisaram para baixo o número de casos suspeitos de mortes provocadas pela gripe suína, de 176 para 101, indicando que o surto da doença pode ser menos grave do que se pensava.

Até agora, foram confirmadas apenas 16 mortes provocadas pela gripe suína no México.

O ministro da Saúde do México, José Ángel Córdova, disse à BBC que, com base nas amostras testadas, a taxa de mortalidade provocada pela gripe suína poderia ser comparada com a das gripes sazonais comuns.

A declaração do ministro ocorre em meio a uma paralisação de cinco dias em todos os serviços não-essenciais no México para tentar conter a propagação do vírus H1N1.

Antivirais

A OMS está enviando 2,4 milhões de doses de medicamentos antivirais para 72 países, de acordo com Michael Ryan.

Segundo ele, o órgão ainda está tentado avaliar a resistência do vírus H1N1.

Neste sábado a Coreia do Sul e a Itália confirmaram seus primeiros casos de gripe suína, elevando para 17 o número de países com registros da doença.

Além do México, onde o surto teria começado, os demais países com casos confirmados são Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, França, Israel, Costa Rica, Holanda, Suíça, Áustria, Dinamarca e China (Hong Kong).

Cinco desses países também confirmaram casos de transmissão da doença para pessoas que não haviam estado no México.

Vários países estão adotando medidas para tentar conter a propagação do vírus. A União Europeia pediu aos seus cidadãos que evitem viajar para México, Estados Unidos e Canadá. Argentina e Cuba foram além e suspenderam todos os voos vindos do México.

A China, que teve o primeiro caso confirmado em Hong Kong na sexta-feira, de um mexicano que havia entrado no país por Xangai, anunciou uma quarentena para todas as pessoas que viajaram no mesmo voo do que o homem infectado.

O hotel onde ele se hospedou em Hong Kong também foi fechado por sete dias e todos os seus hóspedes e funcionários receberam o antiviral Tamiflu, um dos dois medicamentos recomendados pela OMS para tratar a gripe suína.

No Egito, as autoridades iniciariam neste sábado o sacrifício de 300 mil porcos como medida de precaução, apesar de os especialistas afirmarem que não há risco de infecção pela ingestão de carne de porco e que não há indicações científicas de que o sacrifício de porcos possa conter a doença.

Casos confirmados

Até agora, foram confirmados 643 casos de infecção pelo vírus da gripe suína em todo o mundo, com 17 mortes - apenas uma fora do México, de um bebê de 23 meses no Estado do Texas, nos Estados Unidos.

Anne Schuchat, sub-diretora interina do Centro para Controle e Prevenção de Doenças, do governo americano, disse que apesar da preocupação provocada pelo aparecimento do surto de gripe suína, a maioria dos casos registrados até agora têm apenas provocado enfermidades "leves e limitadas".

Segundo ela, o novo vírus não tem as mesmas características que fizeram, por exemplo, o vírus da gripe espanhola tão letal. A pandemia de gripe espanhola, entre 1918 e 1919, matou até 50 milhões de pessoas em todo o mundo.