Países mais afetados por gripe pedem que doença não afete comércio

Mexicano com máscara passa por camisetas à venda na Cidade do México
Image caption México pediu tratamento mais justo aos seus cidadãos no exterior

Autoridades do México, dos Estados Unidos e do Canadá, os três países mais afetados pelo vírus H1N1, da gripe suína, apresentaram uma declaração conjunta pedindo que o surto da doença não afete o comércio mundial.

"Instamos a comunidade internacional a não usar o surto de influenza A H1N1 como motivo para criar restrições comerciais desnecessárias e que as decisões que se tomem estejam baseadas em evidências científicas sólidas", afirma a declaração assinada pelos ministros da Agricultura de Canadá, Estados Unidos e México - Gerry Ritz, Tom Vlisack e Álberto Cárdenas.

Os três países se comprometeram a "um contínuo controle e vigilância sanitária, tanto no setor público como no setor privado".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também emitiu um comunicado no qual insiste que não existem razões que justifiquem a proibição do consumo de carne de porco e derivados e que não há evidências de que o vírus se transmita por meio da ingestão de alimentos.

Apesar disso, vários países, entre eles China e Rússia, restringiram a importação de produtos derivados de porco. No sábado, o Egito também iniciou o sacrifício de 300 mil porcos no país.

Discriminação

O México pediu ainda neste sábado um tratamento mais justo com seus cidadãos, por considerar que eles estão sendo discriminados, especialmente em alguns países latino-americanos e na China.

Na última semana, Argentina, Cuba e China proibiram os voos procedentes do México de pousar em seus aeroportos. A União Europeia também pediu aos seus cidadãos que evitem viajar aos países da América do Norte.

A chanceler mexicana, Patricia Espinosa, criticou a China pela decisão de impor uma quarentena aos mexicanos que viajaram à China e de suspender os voos, o que a ministra considerou como medida "discriminatória".

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do México recomendou aos mexicanos que não viajem à China.

Estabilização

A OMS contabilizou no sábado 658 casos confirmados de gripe suína em 16 países, com 17 mortes - 16 delas no México. As autoridades mexicanas confirmaram posteriormente novos casos confirmados e mais três mortes.

Apesar disso, alguns sinais nos últimos dias indicam que a propagação da doença pode estar se estabilizando e que a epidemia pode não ser tão grave como se pensava.

A OMS afirmou no sábado que, apesar da ameaça de uma pandemia ainda ser mantida, a propagação sustentada da gripe suína parece estar até agora restrita aos países da América do Norte, com apenas casos isolados em outras regiões, principalmente entre pessoas que estiveram no México.

Segundo o diretor de Alerta e Resposta Global da OMS, Michael Ryan, "neste momento não seria inteligente sugerir de modo algum que a situação esteja fora de controle".

Mortalidade em queda

O ministro da Saúde do México, José Ángel Córdova, também afirmou no sábado que a epidemia está em processo de estabilização, já que 70% dos hospitalizados com a gripe suína não apresentam gravidade.

Segundo ele, o número de casos parece estar diminuindo nos últimos dias, reduzindo também a taxa de mortalidade.

Entre os casos confirmados da doença, a última morte ocorreu no dia 28 (terça-feira). As novas mortes confirmadas pelo México no sábado ocorreram antes disso, mas só agora tiveram a causa confirmada por testes laboratoriais.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama declarou, em uma mensagem pelo rádio, que seu governo está tomando "todas as precauções necessárias" para evitar uma piora da situação.

Os Estados Unidos confirmaram no sábado 160 casos da doença em 21 Estados desde o início do surto.

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