Papa critica 'uso impróprio' da religião para fins políticos

papa acena para fiéis na Jordânia
Image caption Papa faz visita de uma semana ao Oriente Médio

O Papa Bento XVI criticou neste sábado o uso impróprio da religião para fins políticos durante uma visita à segunda maior mesquita da Jordânia.

O pontífice realiza uma visita de uma semana ao Oriente Médio, a primeira desde que assumiu o pontificado, há quatro anos.

Durante um discurso a líderes islâmicos na mesquita Rei Hussein, o papa sugeriu que a violência vem da "manipulação da religião" e não de um "choque entre as crenças religiosas".

Ele pediu aos muçulmanos e cristãos da Jordânia que trabalhem juntos para melhorar a situação da sociedade do país.

"É verdade que as tensões e contradições entre seguidores de diferentes tradições religiosas não podem ser negadas", afirmou o papa.

"No entanto, não é freqüente o caso em que a manipulação ideológica da religião com fins políticos é o catalisador real de tensões e divisões e, às vezes, da violência na sociedade?", questionou.

'Peregrino da paz'

Ao chegar a Amã na sexta-feira, Bento XVI se descreveu como um "peregrino da paz" e enfatizou seu "profundo respeito" pelo islamismo.

O pontífice, de 82 anos, ainda elogiou o respeito que há na Jordânia pela religião.

Antes de chegar à mesquita Rei Hussein, o papa passou pelo Monte Nebo onde, segundo a Bíblia, o profeta Moisés viu a Terra Prometida antes de morrer.

A visita ao Oriente Médio tem como objetivo melhorar as relações do Vaticano com líderes islâmicos e judeus e encorajar a minoria cristã na região.

Após a passagem pela Jordânia o segue para Israel, onde estão previstas visitas a Jerusalém e à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, local onde segundo a tradição cristã nasceu Jesus. O Papa fará um apelo pela paz entre israelenses e palestinos e pela criação de uma "terra palestina".

A visita do Papa ao Oriente Médio também é vista por muitos como uma tentativa de interceder em favor dos árabes cristãos.

O número de cristãos árabes vem diminuindo nos últimos anos em países muçulmanos, o que preocupa o Vaticano - o Oriente Médio é considerado o berço do Cristianismo e abriga algumas das mais antigas comunidades cristãs do mundo.

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