EUA vão investigar ataques aéreos no Afeganistão, diz comandante militar

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim
Image caption Karzai (ao lado de Merkel) disse que ataques prejudicam luta contra terror

O chefe do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, general David Petraeus, que é responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, anunciou neste domingo a indicação de um general para conduzir investigações sobre os ataques aéreos realizados por forças americanas no Afeganistão.

Em entrevista ao canal de TV americano Fox News, Petraeus disse que o general, que não foi identificado, irá ao Afeganistão para assegurar que "nossas ações táticas não prejudiquem nossos objetivos estratégicos".

O anúncio foi feito depois de o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ter afirmado que a morte de civis provocada por ataques aéreos americanos está prejudicando a luta contra o terrorismo e que o povo afegão quer uma solução rápida e efetiva para esse problema.

"A morte de civis, obviamente, é um problema muito sério para o povo afegão, e também é um problema sério para nossos aliados", disse Karzai neste domingo, em Berlim, após uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel.

"É algo que o povo afegão deseja ver solucionado rapidamente e de forma efetiva", afirmou o Karzai.

O líder afegão já havia dito na sexta-feira, em entrevista à rede de TV americana NBC, que esse problema é a grande preocupação em seu país.

"É importante que os Estados Unidos reconheçam que a morte de civis é a maior preocupação no Afeganistão e prejudica os esforços contra o terrorismo", disse o líder afegão na entrevista.

Protesto em Cabul

Os ataques aéreos têm como alvo militantes do Talebã e de outros grupos radicais, mas há vários casos recentes de morte de civis.

Petraeus disse que o Talebã tem uma "enorme" parcela de culpa por atirar contra tropas americanas a partir de casas civis.

Neste domingo, centenas de estudantes marcharam pelas ruas da capital do Afeganistão, Cabul, em protesto contra as mortes de civis provocadas por ataques aéreos americanos na província de Farah na última terça-feira.

Segundo fontes afegãs, cerca de 150 pessoas morreram nesses ataques na última semana. Os Estados Unidos disseram que essa estimativa é exagerada, mas não forneceram dados sobre o número de vítimas.

Alguns cartazes levados pelos manifestantes chamavam os Estados Unidos de "o maior terrorista do mundo". Os manifestantes também pediram que os responsáveis por esses ataques sejam levados a julgamento.

O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, James Jones, disse que os americanos não vão deixar de realizar ataques aéreos no território afegão, mas afirmou que serão redobrados os esforços para evitar a morte de civis inocentes.

Karzai disse que o povo afegão espera ver esforços reais por parte dos Estados Unidos para evitar a morte de civis.

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