Suposto nazista está em condições de aguardar julgamento na prisão, dizem médicos

John Demjanjuk
Image caption John Demjanjuk nega ter trabalhado como guarda de campo de extermínio

Médicos da prisão de Stadelheim, na cidade alemã de Munique, decidiram nesta quarta-feira que o ucraniano John Demjanjuk, acusado de ser um criminoso de guerra nazista, está em condições de ficar no cárcere enquanto aguarda julgamento, de acordo com um porta-voz da instituição.

Demjanjuk, de 89 anos, foi levado dos Estados Unidos para a Alemanha na terça-feira, depois de uma longa batalha para evitar a extradição. Um dos argumentos usados por seus advogados era que seu estado de saúde não era bom.

O ucraniano é acusado de participação no massacre de pelo menos 29 mil judeus, quando trabalhava como guarda no campo de extermínio de Sobibor, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial.

Demjanjuk, que morava nos Estados Unidos desde 1952, nega as acusações e alega ter sido capturado pelos alemães na Ucrânia, tendo sido mantido como prisioneiro de guerra pelos nazistas.

Ordem de prisão

Autoridades alemãs apresentaram a Demjanjuk uma ordem de prisão poucas horas depois que ele chegou ao país.

Seu advogado, Guenter Maull, disse que o suspeito ouviu sentado em uma cadeira a leitura e tradução para ucraniano do documento de 21 páginas.

Demjanjuk "não expressou nenhuma emoção" mas entendeu as acusações que eram feitas contra ele, disse Maull.

Ele está sendo mantido sob observação médica para que especialistas determinem se está apto a enfrentar o julgamento - uma avaliação que pode levar várias semanas. Mas o vice-diretor da prisão, Jochen Menzel, disse que o prisioneiro está em muito boas condições físicas.

"Ele não é um homem comum para a sua idade (...) ele está em melhor forma do que uma pessoa com 89 anos de idade", disse Menzel ao canal de TV alemão N24.

Debilitado

Nos Estados Unidos, os advogados de Demjanjuk alegaram que ele estava debilitado demais para ser deportado, mas o governo americano, que filmou secretamente imagens em que ele aparece andando sem assistência, alegou que o acusado estava em condições de viajar.

Um tribunal de apelação apoiou esta tese, dizendo-se convencido de que ele receberia assistência adequada.

Demjanjuk chegou aos Estados Unidos em 1952 como refugiado de guerra. Ele se fixou em Cleveland, Ohio, onde trabalhou em uma fábrica de automóveis.

Em 1988, ele foi extraditado e condenado à morte em Israel por crimes contra a humanidade, depois que um grupo de sobreviventes do Holocausto o identificou como "Ivan, o Terrível", um guarda do campo de concentração de Treblinka conhecido por seu sadismo.

Mas a decisão foi revogada em 1993 pela Suprema Corte israelense, que concluiu que existiam dúvidas sobre se Demjanjuk era mesmo um guarda de Treblinka. O acusado voltou, então, aos Estados Unidos.

Em 2002, um juiz americano de imigração decidiu que existiam evidências suficientes de que Demjanjuk foi um guarda em campos nazistas e retirou sua cidadania. Em 2005, outro juiz determinou que ele poderia ser deportado para a Alemanha, Polônia ou Ucrânia.

Ele foi indiciado em março pelas autoridades alemãs por sua suposta participação na morte de 29 mil pessoas em 1943.