Premiê de Israel poderá apoiar Estado palestino, indica ministro

Benjamin Netanyahu
Image caption Benjamin Netanyahu se encontrará com Barack Obama, em Washington.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pode estar preparado para apoiar um processo de paz que leve a um Estado independente palestino, segundo declarações neste sábado de seu ministro da Defesa.

Os comentários de Ehud Barak foram feitos dias antes do primeiro encontro de Netanyahu com o presidente americano Barack Obama, em Washington.

Barak disse à TV israelense que um acordo de paz com os palestinos poderia ser obtido em três anos e levaria outros cinco anos para ser implementado.

"Netanyahu dirá a Obama: Nós estamos dispostos a nos envolver em um processo cujo fim seja um acordo de paz regional", disse Barak ao Canal 2.

Dois Estados

Apesar de não ter afirmado que o premiê irá apoiar um Estado palestino, o ministro indicou que essa poderia ser uma das soluções a emergir de um processo de paz.

"Os árabes dizem ‘dois Estados', e eu não vejo uma razão pela qual Netanyahu não diria que no fim de um acordo (...) haverá dois povos vivendo lado a lado em paz e respeito mútuo", disse Barak, antigo rival do premiê que hoje faz parte da coalizão de governo.

No entanto, alguns membros do partido Likud, de Netanyahu, lançaram dúvidas sobre a opinião de Barak.

O ministro dos Transportes, Yisrael Katz, disse à agência AFP que o premiê se "oporia a qualquer criação de um Estado palestino armado nas fronteiras de Israel que pudesse ameaçar a segurança israelense".

Até agora, Netanyahu vem se recusando a discutir a solução de dois Estados, dizendo apenas que quer lidar com a questão de forma "nova".

Netanyahu deverá chegar a Washington neste domingo, com as conversas na Casa Branca marcadas para segunda-feira.

Pressão

Apesar de as relações entre Israel e os Estados Unidos continuarem fortes, analistas dizem que Netanyahu poderá ser pressionado pelo presidente americano.

Durante sua campanha no começo do ano, o premiê israelense continuava se opondo a um Estado palestino e fez duras críticas à administração do grupo Hamas na Faixa de Gaza.

Mas, em um discurso em maio, Netanyahu disse que o processo político precisa ser acompanhado de medidas para fortalecer a segurança e estimular a economia palestina.

O jornal israelense Haaretz citou uma fonte da Casa Branca dizendo que Obama não apresentará um plano específico para o Oriente Médio neste encontro com o premiê israelense.

"Essa é a primeira oportunidade para tomar o próximo passo e expandir a cooperação. E tenho certeza de que será a primeira de muitas conversas deste tipo", disse.

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