Agenda de Lula na Turquia tem 'afinidades políticas' e comércio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acena durante sua visita à China, nesta terça-feira (AP)
Image caption Comércio e política internacional estão na agenda da visita de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega nesta quarta-feira à Turquia para uma visita de três dias que vai explorar, entre outros assuntos, o comércio e as "afinidades políticas" entre os dois países.

Na avaliação do Itamaraty, Brasil e Turquia têm "pontos em comum", como, por exemplo, "a capacidade de diálogo com diferentes grupos na região".

O Brasil tem interesse em ampliar sua participação em negociações de paz, sobretudo entre israelenses e palestinos.

"Tanto a Turquia como o Brasil podem ter papel relevante no encaminhamento do conflito", diz a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, chefe do Departamento de Europa do Itamaraty. "Somos complementares", acrescenta.

Segundo ela, a relação bilateral entre Brasil e Turquia "precisa refletir essa dimensão".

"A visita do presidente Lula, a primeira de um presidente brasileiro àquele país, tem esse papel", diz. Ainda de acordo com a embaixadora, as semelhanças no campo econômico também serão discutidas durante a visita. "Os dois países são membros do G20 e são países em desenvolvimento que lutam por maior participação na solução da crise", diz Maria Edileuza. Negócios A agenda oficial de Lula no país começa na quinta-feira, em Istambul, onde participa de um seminário empresarial.

Na sexta-feira, o presidente brasileiro será recebido em Ancara pelo presidente da Turquia, Abdullah Gül. À tarde, Lula se encontra com o primeiro-ministro Recep Erdogan. Além dos assuntos políticos, o governo brasileiro tem ainda na agenda uma série de propostas para ampliar a relação econômica entre Brasil e Turquia. A Petrobras, por exemplo, tem interesse em mostrar as vantagens do biocombustível, sobretudo em um país altamente dependente do petróleo como a Turquia. Os dois países já são parceiros na exploração de petróleo. A empresa brasileira investiu US$ 300 milhões em um projeto no Mar Negro, que começou em 2006 em parceria com a estatal petrolífera turca, a TPAO. Empresários de outras áreas também acompanham o presidente Lula durante a viagem. O grupo tem cerca de 70 executivos das áreas de construção civil, máquinas e aviação civil. Eles querem diversificar a lista de produtos brasileiros que entram na Turquia, que atualmente é concentrada em minério, fumo e madeiras. Distribuição

O comércio entre Brasil e Turquia não chega a ter um volume significativo. Em 2008, as vendas brasileiras ao mercado turco somaram US$ 816 milhões, contra US$ 337 milhões em importações. Um dos projetos do governo brasileiro é usar a Turquia como plataforma de distribuição de produtos brasileiros na região. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) estuda a construção de um centro de distribuição na cidade de Gaziantep - região industrial próxima à fronteira com a Síria -, que poderia facilitar o comércio de produtos brasileiros no Oriente Médio. A proposta, no entanto, não deve ser concretizada neste encontro. De acordo com o Itamaraty, não está prevista a assinatura de atos ou acordos durante a viagem, mas apenas uma declaração conjunta.

Notícias relacionadas