Guantánamo deixou EUA menos seguros, diz Obama

Barack Obama durante discurso nesta quinta-feira
Image caption Barack Obama durante discurso nesta quinta-feira

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que o centro de detenção de Guantánamo enfraqueceu a segurança nacional americana e se tornou ''um símbolo que ajudou a Al Qaeda a recrutar terroristas para a sua causa''.

Os comentários do líder americano foram feitos um dia após o Senado americano ter vetado por 60 votos contra 5 a concessão da verba de US$ 80 milhões solicitada por Obama para fechar o centro de detenção, situado em território cubano, que abriga supostos autores de atos terroristas contra alvos americanos.

O líder americano havia pedido o fechamento do presídio até janeiro de 2010, mas agora dificilmente este prazo deverá ser alcançado.

O local do discurso do presidente foi uma escolha simbólica, o Arquivo Nacional, em Washington, que abriga a Declaração da Independência americana e a Constituição do país, documentos que foram mencionados no pronunciamento do líder americano em diferentes trechos de seu pronunciamento.

Críticas a Bush

O líder americano também fez críticas à gestão de seu antecessor, George W. Bush, como ao dizer que ''com muita frequência, o nosso governo tomou decisões motivadas mais pelo medo do que por perspicácia e, por muitas vezes, eliminou fatos e provas para se ajustar a predisposições ideológicas''.

O principal argumento para rejeitar a verba solicitada para fechar o centro de detenção, o de que não há uma estratégia clara sobre o que fazer com os 240 detidos em Guantánamo é um problema que, segundo Obama, surgiu na gestão de seu antecessor.

''A Suprema Corte que invalidou o sistema de processos em Guantánamo, em 2006, foi em boa parte indicada por presidentes republicanos. Em outras palavras, o problema do que fazer com os detidos em Guantánamo não foi causado pela minha decisão de fechar o local, mas sim pela decisão de abri-lo.''

Obama também criticou o que chamou de ''a noção inapropriada'' de que uma prisão lá (em território cubano) estaria acima da lei - uma predisposição que a Suprema Corte rejeitou com severidade''.

Cheney

Image caption Cheney falou pouco depois do pronunciamento de Obama

Minutos após Obama ter encerrado seu discurso, o ex-vice-presidente Dick Cheney, fez um pronunciamento na sede do instituto de pesquisas conservador American Enterprise Institute, no qual defendeu práticas defendidas pela gestão de George W. Bush.

Cheney afirmou que a decisão de trazer ''os piores terroristas'' de Guantánamo para os Estados Unidos seria uma ''fonte de grande perigo''. O ex-vice-presidente também defendeu a técnica de interrogar prisioneiros que simula afogamento e que foi descrita por Obama como uma forma de tortura.

''Aqueles que fizeram perguntas e obtiveram respostas fizeram a coisa certa e deixaram nosso país mais seguro'', afirmou Cheney.

Em seu discurso, Obama, afirmou que técnicas como esta ''minam o império da lei, nos alienam perante o mundo e servem como ''uma ferramenta de recrutamento para terroristas e aumentam a disposição de nossos inimigos em lutar contra nós, enquanto diminuem a disposição de outros em trabalhar ao lado dos Estados Unidos''.