EUA propõem retomar negociações sobre imigração com Cuba

Cubanas se reecontram no aeroporto de Havana após suspensão de restrições a viagens de cubano-americanos à ilha (AP/arquivo)
Image caption Obama suspendeu restrições a viagens de cubano-americanos

Os Estados Unidos propuseram ao governo de Cuba a retomada nas negociações sobre política migratória, informou, nesta sexta-feira, o Departamento de Estado dos EUA.

Estas negociações, que aconteciam duas vezes ao ano desde meados da década de 1990, haviam sido interrompidas em 2004, durante o governo de George W. Bush.

Na ocasião, o governo americano acusou Cuba de não dar permissão de saída a pessoas que haviam conseguido vistos americanos.

"Com esta retomada nas negociações, nós pretendemos reafirmar o compromisso dos dois lados com a migração legal, segura e ordenada. (Pretendemos) também revisar a tendência recente de imigração ilegal de cubanos para os EUA e aprimorar as relações operacionais em assuntos migratórios", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado Ian C. Kelly, de acordo com o jornal The New York Times.

Segundo Charles Scanlon, da BBC em Washington, as autoridades americanas estão querendo testar a disponibilidade do governo cubano para o diálogo, depois de décadas de hostilidades entre os dois países.

Pés secos, pés molhados

Embora não tenha sido divulgada nenhuma reação oficial de Cuba a respeito da proposta, uma fonte do governo afirmou à BBC que o país seguirá pressionando os EUA pelo fim da política conhecida como "pés molhados ou pés secos".

Esta legislação permite que os cubanos que estiverem em território americano consigam regularizar sua situação. Já os cubanos detidos no mar, tentando entrar nos EUA, são imediatamente deportados para a ilha.

Segundo o governo cubano, esta política é um estímulo para que os cubanos tentem entrar ilegalmente nos EUA.

"Concessão à ditadura"

A possível retomada nos diálogos não foi vista com bons olhos por parlamentares cubano-americanos em Washington.

Em um comunicado conjunto, os deputados republicanos Lincoln Díaz-Balart, Ileana Ros-Lehtinen e Mario Díaz-Balart afirmaram que a proposta é "uma concessão unilateral do governo Obama a uma ditadura".

Já o senador pela Flórida Mel Martinez afirmou que as negociações foram suspensas "pela recusa do regime de Castro em cumprir com importantes partes dos acordos migratórios".

Para Martinez, os EUA "deveriam insistir no cumprimento total dos acordos por parte de Cuba antes de reabrir as negociações formais".

Mais um gesto

Desde que tomou posse, em janeiro, o presidente Barack Obama tem feito alguns gestos que podem ser interpretados como uma tentativa de aproximação com o governo cubano.

Em abril, o governo dos EUA suspendeu as restrições a viagens de cubano-americanos à ilha e ao envio de remessas.

Durante a Cúpula das Américas, também em abril, Obama afirmou que queria um "novo começo com Cuba".

A proposta de retomada no diálogo sobre a imigração é feita poucos dias antes da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que começa no dia 2 de junho em Honduras.

Na pauta do encontro deve estar a volta de Cuba à organização, da qual foi suspensa em 1962.

Notícias relacionadas