Bolívia nega fornecimento de urânio para o Irã

O presidente da Bolívia, Evo Morales, durante comemorações dos 200 anos de independência do país, nesta segunda-feira (AFP)
Image caption Morales anunciou rompimento de relações com Israel em janeiro

O governo da Bolívia negou, nesta segunda-feira, que o país produza urânio, desmentindo as suspeitas do Ministério das Relações Exteriores de Israel de que, junto com a Venezuela, o país forneceria o produto para o programa nuclear do Irã.

"A informação é falsa. A Bolívia não produz urânio. Produz lítio, cobre, ferro, estanho, zinco, mas urânio ou qualquer outro item radioativo não", afirmou à BBC Brasil a assessoria de imprensa do Ministério de Minério e Metalurgia, com sede em La Paz.

As suspeitas foram levantadas após serem divulgadas informações, nesta segunda-feira, de que o governo de Israel teria indícios de que Bolívia e Venezuela estariam fornecendo urânio para o Irã.

Até o momento, não foi divulgada nenhuma reação oficial do governo da Venezuela.

Leia também na BBC Brasil: Relatório de Israel acusa Venezuela de enviar urânio ao Irã

Exploração

Também nesta segunda-feira, no entanto, o governo do Departamento (Estado) de Potosí, no sudoeste do país, informou que tem planos de iniciar ainda este ano a exploração de urânio no município de Antonio Quijarro.

O secretário de Minério e Metalurgia de Potosí, Carlos Colque, afirmou à rádio Fides que a existência do elemento na região ainda precisa ser confirmada.

"Existe a possibilidade de confirmarmos reservas de urânio (na região). O governo de Potosí assumiu esse projeto (de exploração) que tem um custo de 2 bilhões de bolivianos (cerca de R$ 570 milhões)", afirmou.

Segundo ele, se for confirmada a existência do elemento, ele poderia começar a ser produzido em 2010.

Relações com o Irã Em entrevista à BBC Brasil, o analista político e econômico Carlos Alberto López, ex-vice-ministro de Energia da Bolívia, afirmou que o país tem mantido "relações inéditas" com o governo iraniano nos últimos anos.

"Esta relação foi impulsionada pela aproximação do governo da Venezuela com o governo do Irã", disse.

Segundo López, ocorreram várias visitas de autoridades iranianas nos últimos três anos à Bolívia.

"Essas visitas geraram muitas especulações. Mas, oficialmente, além da simpatia mútua e de declarações de apoio, que se saiba, não ocorreu nada concreto", afirmou.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, visitou a Bolívia em setembro de 2007 e também esteve na Venezuela, Nicarágua e Equador.

O presidente boliviano, Evo Morales, fez sua primeira visita oficial ao Irã em setembro do ano passado.

Israel

O governo boliviano anunciou, no último mês de janeiro, o rompimento das relações diplomáticas com Israel, em protesto contra a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Leia também na BBC Brasil: Bolívia rompe relações diplomáticas com Israel

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