Justiça alemã libera filme sobre canibal

Image caption Meiwes alegava que o filme violaria sua privacidade

O Supremo Tribunal Federal da Alemanha liberou nesta terça-feira a exibição no país de um filme de terror inspirado na vida de Armin Meiwes, conhecido como o "canibal de Rotenburg".

A obra foi proibida pela primeira vez em 2006, pouco antes da estreia, por causa de um recurso impetrado pelo advogado de Meiwes.

O advogado alegou, entre outras coisas, que a história viola a privacidade de seu cliente, reproduzindo em detalhes sua vida.

Desde então, a briga passou por todas as instâncias da Justiça alemã.

O técnico de informática Armin Meiwes foi condenado a prisão perpétua por ter, em 2001, castrado, matado e devorado o engenheiro berlinense Bernd-Jürgen Brandes, de 43 anos, em sua casa, na cidade de Rotenburg.

Inspiração

Ele afirma que agiu com consentimento da própria vítima, que havia posto um anúncio na internet, pedindo para ser devorada. A vítima marcou um encontro com seu assassino e o crime foi filmado com uma câmera de vídeo.

A proibição foi suspensa porque, de acordo com o tribunal, o interesse público sobre o assunto e a liberdade artística prevalecem sobre os direitos de personalidade do condenado.

"O filme não deturpa os fatos do caso, que foram amplamente conhecidos", afirma o tribunal, ao justificar a decisão.

A produção germano-americana foi intitulada na Alemanha como Rohtenburg, com a grafia errada do nome da cidade onde morava o assassino. Em outros países, o filme também recebeu o nome de Grimm Love.

A produtora responsável pelo filme argumenta que o caso de Meiwes apenas "forneceu inspiração para o filme".

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