Análise: teste norte-coreano pode ser cartada para fortalecer líder

Protesto na Coreia do Sul
Image caption Alguns sul-coreanos ficaram irritados com os testes realizados pela Coreia do Norte

A Coreia do Norte realizou o que vinha ameaçando há semanas - um outro teste nuclear.

O anúncio na mídia estatal disse que a explosão, que sacudiu a península da Coreia com um terremoto de magnitude 4.5, foi "em defesa da nação, do país e do socialismo".

A Coreia do Sul foi o primeiro país a dar o alerta. Especialistas do Centro Geográfico Nacional captaram os tremores a uma distância de 350 quilômetros, do outro lado da fronteira.

O governo sul-coreano convocou imediatamente uma reunião de emergência do gabinete, embora tenha havido pouco sinal de uma preocupação pública real além, talvez, de um pequeno grupo de manifestantes que foram às ruas para queimar maquetes de mísseis da Coreia do Norte.

Acredita-se que a explosão tenha sido realizada na região nordeste da Coreia do Norte, perto do local onde foi conduzido o primeiro teste, em 2006.

Esta foi mais poderosa.

A explosão teria feito o chão tremer até mesmo na fronteira com a China.

Parece, então, que a reclusa Coreia do Norte, com um Exército de um milhão, aumentou drasticamente sua capacidade nuclear.

E, não é de surpreender, atraiu forte condenação internacional, com líderes políticos em Seul, Tóquio e Washington declarando os testes atos ilegais, que violam uma resolução das Nações Unidas (ONU).

Até as autoridades em Moscou e Pequim apontaram o dedo acusador para Pyongyang.

Então, por que é que a Coreia do Norte voltou a chamar para si o status de pária e realizou este teste nuclear?

'A última gota'

A Coreia do Norte tinha anunciado que estava preparando os testes como resposta a críticas internacionais feitas ao lançamento de um foguete que realizou no mês passado, embora tenha revelado pouco sobre a data planejada.

Líderes norte-coreanos alegam que o foguete, lançado de uma base na sua costa leste, tinha o objetivo de colocar um satélite de comunicações em órbita, e pareceram enfurecidos com sugestões de que o lançamento era, na verdade, um teste de um míssil de longo alcance.

A condenação do ato pelo Conselho de Segurança da ONU foi a última gota, disse a Coreia do Norte.

A lógica do país é esta: Se o mundo se recusa a ser justo e a reconhecer os seus direitos, por que a Coreia do Norte deve honrar seus compromissos?

No dia 14 de abril, a Coreia do Norte anunciou que estava se retirando de vez das longas negociações sobre suas ambições nucleares, que envolvem seis nações (Estados Unidos, China, Coreia do Sul e do Norte, Japão e Rússia).

Mas vários observadores conservadores em Seul e Washington duvidavam há muito tempo que a Coreia do Norte tivesse realmente a intenção de abrir mão de seu programa de armas nucleares.

Eles acreditam que a Coreia do Norte pode, simplesmente, ter decidido que, por enquanto, pode ter conseguido todas as concessões que deseja em ajuda e comércio.

Futuro incerto

A Coreia do Norte pode achar que seus interesses serão melhor atendidos com o aperfeiçoamento de sua capacitação estratégica, possivelmente para conseguir uma recompensa maior no futuro.

Mas há outra questão a ser levada em conta.

Há rumores de que a saúde do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, é precária. Nos últimos meses ele fez raras aparições em público.

Sem sucessor claro, há profunda incerteza sobre a futura direção que o país tomará.

Alguns analistas dizem que este teste nuclear pode ser uma tentativa de sustentar a legitimidade de um líder potencialmente enfraquecido aos olhos do público norte-coreano.

Mas é impossível saber o que vai na mente dos norte-coreanos. Pode ser que eles realmente sintam orgulho com cada anúncio de proeza militar.

Se não existissem restrições severas à liberdade de expressão, talvez alguns norte-coreanos poderiam se perguntar em voz alta porque um dos países mais empobrecidos do mundo tomou mais uma medida desafiadora para alcançar o status de potência nuclear.