Líder de oposição em Mianmar nega acusações em julgamento

Prisão de Insein
Image caption Suu Kyi foi levada para uma prisão de segurança máxima

A líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi , negou no tribunal ter violado os termos de sua prisão domiciliar quando um americano visitou sua casa, em Yangun.

Suu Kyi, que foi levada a uma prisão no último dia 14 para aguardar o julgamento, disse que não se deu conta imediatamente da presença do intruso, mas foi informada mais tarde por uma assistente.

Numa rara concessão, o regime birmanês permitiu a presença de alguns diplomatas e jornalistas locais no tribunal.

A expectativa é de que Suu Kyi, detentora do Nobel da Paz em 1991, seja condenada a até cinco anos de prisão. O julgamento começou há pouco mais de uma semana.

O processo vem sendo criticado como sendo uma forma encontrada pelos militares para manter a líder da oposição presa até depois das eleições programadas para o ano que vem.

Esta foi a primeira vez que Suu Kyi prestou depoimento no processo. Ela foi acusada pelo governo militar depois que o americano John Yettaw passou a noite em sua casa, onde ela passou a maior parte dos últimos 19 anos em prisão domiciliar.

"Não fiquei sabendo (da visita) imediatamente. Fui informada às 05h00. Minha assistente me disse que um homem havia chegado", disse Suu Kyi no tribunal.

Ela contou ter dado "abrigo temporário" ao intruso, e disse que não informou as autoridades. Segundo Suu Kyi, o homem deixou sua casa às 23h45, no dia 5 de maio.

"Só sei que ele foi para o lado do lago. Não sei que direção ele tomou porque estava escuro."

Mas os generais do regime afirmam que o incidente foi planejado para constranger o governo.

Veredicto

Há sinais de que as autoridades querem dar um fim rápido ao julgamento.

O advogado de Suu Kyi, Nyan Win, disse na segunda-feira que a promotoria cancelou as últimas testemunhas, para que sua cliente fosse chamada a depor, mesmo sem ter tido a chance de conversar com ele antes.

Nyan Win disse ter "absoluta certeza" de que as autoridades estão tentando apressar o julgamento e que "pode ser que elas já tenham escrito o veredicto".

Há informações conflitantes sobre se o governo birmanês pensa ter o direito de manter Aun San Suu Kyi detida independente do resultado do julgamento.

Em um comunicado, o governo militar disse que a líder pró-democracia passou apenas quatro anos e meio em prisão domiciliar de um máximo de cinco anos, e por isso o regime pode legalmente estender sua pena por mais seis meses.

Mas um alto oficial da polícia disse que as autoridades vinham considerando libertar Suu Kyi, como um gesto humanitário, antes da visita do americano.

Já os advogados da líder da oposição dizem que sua sentença de cinco anos expira nesta semana.

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