GM deve pedir concordata nesta segunda-feira

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Image caption A GM já recebeu vários empréstimos do governo americano

A montadora americana General Motors deve pedir concordata nesta segunda-feira, no que pode vir a ser a maior quebra da história industrial dos Estados Unidos.

O prazo para que a montadora apresentasse um plano viável de revitalização em troca de um pacote de ajuda do governo vencia neste dia 1º de junho.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos disse que a maioria dos credores já teriam aceitado assinar um acordo que prevê que eles venham a ter uma participação de pelo menos 10% em uma nova versão - bem mais enxuta - da montadora.

O presidente Barack Obama deve anunciar os detalhes durante uma conferência de imprensa, nesta segunda-feira. Segundo o correspondente da BBC em Detroit Jonathan Beale, Obama também deve anunciar um novo pacote de ajuda para a empresa no valor de US$ 30 bilhões.

As vendas da General Motors foram duramente afetadas pela crise financeira e a empresa já recebeu US$ 20 bilhões em ajuda do governo.

Em troca do novo pacote, espera-se que o governo receba o controle de 60% da nova empresa, que deve ser relançada em 90 dias com estrutura mais enxuta.

Executivos do alto escalão da GM passaram o fim-de-semana preparando os últimos detalhes da reestruturação daquela que já foi a maior montadora do mundo.

Negócio europeu

A reestruturação deverá mudar radicalmente a General Motors. A previsão é de que a empresa demita 20 mil funcionários.

A expectativa é de que a GM feche fábricas em vários países, ameaçando a existência das subsidiárias Pontiac, Saturn, Hummer e Saab - a última marca da GM na Europa.

O braço europeu da montadora provavelmente ficará de fora do pedido de concordata, depois de uma oferta feita pela fabricante de autopeças canadense Magna International pelas marcas europeias da GM, Opel e Vauxhall.

A GM, que chegou a ser a maior empresa do mundo, vem perdendo mercado desde o início dos anos 80. O alto custo de produção, o colapso dos mercados de crédito e a queda de consumo contribuíram para a concordata.

No ano passado, a montadora apresentou prejuízos de US$ 30 bilhões.

Em, 2008, a GM perdeu o título de maior fabricante de carros do mundo para a Toyota.

O pedido de concordata da GM seria o terceiro maior do tipo na história dos Estados Unidos, depois do colapso do banco Lehman Brothers e da gigante de telecomunicações WorldCom.

Acordo

Cerca de 54% dos credores da GM aceitaram o acordo que prevê a troca de dívidas por 10% das ações da nova empresa, segundo informações da agência de notícias Associated Press, mas ainda é possível que alguns credores decidam processar a montadora.

Em Nova York, um juiz da corte de falências aprovou a venda da montadora Chrysler para um consórcio que inclui a italiana Fiat.

A decisão, que conta com o apoio dos governos canadense e americano, deve permitir a empresa sair da concordata no futuro próximo.

A negociação prevê que a Fiat assuma o controle de 20% da Chrysler, uma fundação formada por sindicatos deve controlar 6% da empresa e os dois governos vão dividir os restantes 12%.