China

China aumenta segurança antes de aniversário de protestos

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O governo da China aumentou a segurança em volta da Praça da Paz Celestial, em Pequim, nesta quarta-feira, véspera do aniversário de 20 anos da repressão aos protestos na capital do país.

Visitantes estão tendo suas bolsas e documentos revistados, forças paramilitares patrulham a grande praça e veículos da polícia estão estacionados perto do complexo do antigo palácio imperial, a Cidade Proibida.

Muitos dissidentes informaram que receberam ordens para sair de Pequim ou para ficarem em casa, e alguns jornalistas foram proibidos de entrar na praça.

Ding Zilin, chefe do grupo chamado Mães da Praça da Paz Celestial, formado por mulheres cujos filhos foram mortos a tiros na repressão aos protestos, teria sido proibida de sair de casa, assim como a esposa do dissidente preso Hu Jia.

Segundo a correspondente da BBC em Hong Kong, Vaudine England, o Partido Comunista chinês proibiu discussões a respeito do movimento democrático e dos protestos de 1989.

Além disso o governo chinês também bloqueou páginas de redes de relacionamento como Twitter, contas do Hotmail ou sites de fotos como o Flickr.

A China costuma proibir discussões sobre os eventos de 4 de junho de 1989, quando o Exército pôs fim, de forma violenta, a semanas de protestos que exigiam mais democracia no país. Também não foi realizado um inquérito oficial sobre os eventos de 1989.

Centenas ou possivelmente milhares - de pessoas morreram na repressão aos protestos, mas as discussões sobre o evento continuam sendo um tabu na China.

A ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional afirma que até 200 pessoas permanecem presas por causa dos eventos de 1989.

Blogues bloqueados

O arquiteto do Estádio Olímpico de Pequim, o famoso "Ninho", Ai Weiwei, disse à BBC que teve seus blogues bloqueados às vésperas do aniversário da repressão ao protesto.

"Três dos meus blogues foram fechados. Não sei exatamente a razão, mas posso sentir que tem a ver com o aniversário (da repressão ao protesto)", afirmou.

Até mesmo em Hong Kong, onde há liberdade de expressão, alguns dissidentes não puderam entrar.

Xiang Xiaoji, que agora é um cidadão americano mas na época era um dos líderes estudantis que participou do protesto, tentava entrar em Hong Kong para se juntar aos eventos de comemoração do aniversário, mas não recebeu autorização e pegou um voo de volta a Nova York.

Durante o final de semana, outro ex-líder estudantil que participou do protesto e agora está exilado, Xiong Yan, conseguiu entrar em Hong Kong.

A ex-colônia britânica conseguiu dos chineses garantias de sua autonomia e liberdade de expressão, mas as proibições da entrada de Xiang e de outros dissidentes colocam em dúvida esta garantia.

De acordo com Vaudine England, a elite governante de Hong Kong, de funcionários públicos indicados pelo governo chinês e poderosos empresários, acredita que a única forma de sobrevivência é a proximidade com a China.

No entanto a maioria da população de Hong Kong ainda quer a liberdade prometida, de acordo com pesquisas.

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