Espanha investiga 'agressão xenófoba' a família de equatorianos

Monica Llumiquinga após deixar o hospital (foto da família)
Image caption Mônica ficou internada nove dias e teve o crânio fraturado

A polícia espanhola está investigando uma denúncia de agressão xenófoba a uma família de imigrantes equatorianos.

As oito pessoas, incluindo dois menores, estavam num parque de Madri quando dizem ter sido surpreendidas por neonazistas que atacaram a toda família aos gritos de 'estrangeiros fora daqui'.

O incidente, que ocorreu no passado 24 de maio, só foi denunciado na quarta-feira, assim que a equatoriana Monica Llumiquinga, a mais ferida, saiu do hospital.

A vítima disse que toda a família se encontrou no parque do subúrbio de Villaverde, na periferia de Madri, para se despedir de um dos filhos dela, Alex, 18 anos, que viajava a Quito naquele mesmo dia.

Segundo ela, um grupo de nove supostos neonazistas com cabeças raspadas, vestimenta militar e aparentando ter em média 20 anos se aproximou e começou a xingar a família.

Intimidação

A vítima contou que os gritos xenófobos como: "voltem a sua m... de país", "aqui vocês vão morrer" e "estrangeiros de m..., fora daqui" foram respondidos com uma tentativa do marido de Monica, Freddy Llumiquinga, de resolver a situação.

Ele teria pedido calma aos agressores espanhóis, afirmando que a família não estava provocando ninguém. Recebeu um soco no rosto e caiu no chão. A esposa de 46 anos quis defender o marido e levou a pior parte das agressões.

Monica recebeu chutes no rosto e no ventre, teve o crânio fraturado e cortes no rosto e nas pernas. Internada durante nove dias, ela permanece de cama com sete pontos na sobrancelha e quatro grampos na cabeça.

Na briga entraram até os filhos menores de idade do casal equatoriano, de oito e 15 anos, que tentaram socorrer os pais e também foram surrados.

A adolescente, Coraima Llumiquinga, conseguiu fugir e gritar por socorro. Os vizinhos chamaram a polícia e os agressores escaparam antes de ser pegos.

O Ministério do Interior da Espanha está investigando o caso. Um porta-voz do governo disse à BBC Brasil que três dos nove agressores foram identificados e estão indiciados. Eles serão julgados por delito de lesões corporais com agravante de xenofobia e terão que comparecer diante do juiz a cada 15 dias até o julgamento, que ainda não está marcado.

A investigação continua aberta para a localização dos outros seis envolvidos. A polícia também está tentando saber se o grupo pertence a alguma organização de extrema direita.

'Agressão gratuita'

A organização de defesa de direitos humanos Movimento Contra a Intolerancia, que prepara a ação criminal contra os jovens espanhóis, descreveu o ato violento como "uma agressão absurda, gratuita, de claro caráter racista e xenófobo de um grupo de covardes energúmenos".

Para o presidente da ONG, Esteban Ibarra, "a crise econômica favorece o aumento do racismo porque parece que virou moda culpar os imigrantes por tudo".

"Mas é certo que este tipo de agressões vêm acontecendo há anos e antes não havia crise. Isso é coisa de um grupo minoritário, mas muito violento", disse Ibarra à BBC Brasil.

A família agredida mora legalmente na Espanha desde 2001 e afirmou que nunca havia passado por situações de preconceito no país.

O filho menor, de oito anos, está sendo tratado por um psicólogo porque, segundo a mãe, não quer mais sair à rua, nem para ir à escola.

A embaixada do Equador em Madri já entrou em contato com o Ministério do Interior da Espanha pedindo uma resposta e punição para que "agressões brutais e atos de violência xenófoba não se repitam mais", nas palavras da nota oficial.

Um grupo de equatorianos, a terceira nacionalidade estrangeira mais numerosa na Espanha (atrás de romenos e marroquinos), foi também vítima de outro caso de xenofobia com repercussão na imprensa espanhola no ano passado.

Uma menor foi agredida dentro do vagão do metrô de Barcelona. O agressor foi flagrado pelas câmeras do circuito interno e pegou oito meses de cadeia.