Manifestantes pró e contra pleito no Irã vão às ruas em Teerã

Ato pró-Ahmadinejad
Image caption Governo iraniano divulgou imagens de ato pró-Ahmadinejad em Teerã

Manifestantes a favor e contra o resultado das eleições no Irã foram às ruas de Teerã nesta terça-feira em mais um dia de protestos públicos.

Os atos pró e contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad acontecem em diferentes pontos da capital iraniana e não houve choque entre os diferentes simpatizantes.

No norte de Teerã, próximo à sede da TV estatal iraniana, centenas de milhares de pessoas protestam contra supostas fraudes no pleito de sexta-feira e em apoio ao candidato derrotado Mir Hossein Mousavi. Uma testemunha disse à BBC que o protesto é ainda maior do que o protagonizado pela oposição na segunda-feira.

Mais cedo, dezenas de milhares de manifestantes pró-Ahmadinejad fizeram um ato na praça Vali Asr, na região central de Teerã, onde estava planejado um ato contra os resultados da eleição. Mousavi pediu a seus simpatizantes que não comparecessem à praça, com receio de que o encontro de manifestantes resultasse em violência nas ruas de Teerã.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, pelas imagens da TV estatal iraniana, o ato pró-Ahmadinejad parece ser menor do que o da oposição, mas não é possível confirmar a informação.

O governo do Irã impôs nesta terça-feira novas restrições à atuação da imprensa, o que tem dificultado o acesso da BBC e outras agências de notícias aos locais onde estão sendo realizados os protestos.

Os jornalistas precisam de permissões especiais do governo para qualquer evento que forem cobrir ao saírem dos seus escritórios.

Passes de imprensa estão sendo invalidados e repórteres estão proibidos de cobrir manifestações não autorizadas pelo governo. Segundo o correspondente da BBC em Teerã, não está claro quais manifestações são consideradas legais ou não.

Na segunda-feira, protestos com centenas de milhares de pessoas contra Ahmadinejad e a eleição deixaram oito mortos. O governo do Irã chamou de "criminosos" os autores das mortes. O ato de segunda-feira foi um dos maiores no país desde a Revolução Islâmica, há 30 anos.

Os protestos começaram após a vitória de Ahmadinejad no pleito de sexta-feira com mais de 62% dos votos, contra 33,8% de Mir Hossein Mousavi.

Nesta terça-feira, o Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona a eleição presidencial, anunciou que está disposto a recontar os votos do pleito contestados pela oposição. Mas um porta-voz do conselho disse à TV estatal iraniana que a eleição não será anulada, como exigem os candidatos moderados.

A oposição diz que a recontagem seria insuficiente, já que milhões de cédulas eleitorais teriam desaparecido.

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