Twitter nega interferência dos EUA em funcionamento de serviço no Irã

Manifestação oposicionista em Teerã
Image caption Os dois lados usam a internet para combinar protestos e divulgar imagens

O Twitter negou que tivesse acatado um pedido do Departamento de Estado americano quando decidiu adiar uma atualização que deixaria sua página fora do ar por 90 minutos para que os iranianos pudessem continuar a se comunicar.

O Twitter é uma das redes sociais que mais vem sendo usada pela oposição iraniana para coordenar protestos contra os resultados das eleições no país.

A atualização - um processo comum que faz parte da manutenção do site - teria deixado o Twitter fora do ar numa hora crucial do dia.

"O departamento de Estado americano não tem acesso ao nosso processo de tomada de decisões", escreveu o co-fundador do Twitter Biz Stone em seu blog.

Leia aqui mais informações sobre o uso da internet nos protestos iranianos

"Quando trabalhamos junto ao nosso provedor de rede para adiar a planejada atualização, o fizemos porque os eventos no Irã estão ligados diretamente à crescente importância do Twitter como uma significativa rede de comunicação e informação."

"Decidimos juntos mudar a data. Faz sentido para o Twitter e para a NTT America manter os serviços ativos durante este evento global altamente visível."

O Departamento de Estado não quis dar detalhes sobre seu contato com o Twitter e disse apenas que "nós ressaltamos para eles que esta é uma importante forma de comunicação".

Stone se recusou a falar à BBC sobre o assunto. Por e-mail, ele respondeu que "nós tratamos do caso no blog de nossa companhia, até o ponto em que estamos dispostos a comentar neste momento".

Observadores da indústria, no entanto, acreditam que mesmo que não tivesse havido o pedido do Departamento de Estado, o Twitter teria adiado a atualização planejada.

"Meu palpite é de que a direção do Twitter já estava planejando adiar o processo para que as pessoas no Irã pudessem continuar a usar o serviço", disse o professor Jonathan L. Zittrain, co-fundador do Berkman Centre for Internet & Society na Universidade de Harvard, que estuda a internet.

"Eles estariam bastante cientes de quão importante é seu papel em tudo isso, então, eu não me preocuparia muito em reportar o envolvimento do Departamento de Estado americano."

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