EUA se preparam para eventual lançamento de míssil pela Coreia do Norte

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (AP, 18/6)
Image caption Gates afirmou que EUA estão preparados para defender território

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou, nesta quinta-feira, que os EUA posicionaram mísseis e um sistema de radares no Havaí para o caso de o governo da Coreia do Norte testar um míssil em direção ao Estado americano.

Em uma entrevista coletiva na sede do Pentágono, em Washington, Gates afirmou que as medidas são uma precaução tomada após serem divulgadas informações de que o governo de Pyongyang estaria se preparando para testar mísseis em direção ao arquipélago americano.

"Estamos monitorando de perto a situação na Coreira do Norte e estamos preocupados com o fato de que eles pretendam lançar um míssil em direção ao Havaí", afirmou Gates.

"Eu ordenei o posicionamento mísseis THAAD no Havaí e (o sistema de radares) SBX foi posicionado para dar apoio (..). Assim, sem telegrafar o que faremos, acredito que estamos em uma boa posição, caso seja necessário, para proteger o território americano", disse o secretário de Defesa.

Também nesta quinta-feira, PJ Crowley, porta-voz do Departamento de Estado americano, afirmou que um eventual novo teste de mísseis por parte da Coreia do Norte seria "um erro".

Teste

A informação de que Pyongyang estaria se preparando para testar um míssil na direção do Estado americano do Havaí foi divulgada nesta quinta-feira pelo jornal japonês Yomiuri Shimbun, que cita como fonte o Ministério da Defesa do Japão.

De acordo com o jornal, fontes do Ministério da Defesa japonês disseram acreditar que o possível teste de um míssil de longo-alcance em direção ao arquipélago americano poderia acontecer já no início do mês de julho.

A fonte, no entanto, afirmou que o projétil provavelmente não atingiria o Havaí, já que o alcance dos mísseis Taepodong-2 da Coreia do Norte seria inferior à distância do país ao arquipélago. No último dia 5 de abril, o governo de Pyongyang anunciou ter colocado um satélite em órbita por meio do lançamento de um foguete.

Os governos de Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, no entanto, afirmam que o lançamento foi na verdade um teste com um míssil Taepodong-2, que teria cerca de 6 mil quilômetros de alcance.

O provável teste de um míssil de longo-alcance e um posterior teste nuclear anunciado pelo governo norte-coreano em 25 de maio fizeram com que uma crise se instalasse na região da península coreana.

Como resposta, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas impôs, no último dia 12 de junho, novas sanções contra a Coreia do Norte.

A nova resolução autoriza os países membros da ONU a inspecionar carregamentos norte-coreanos transportados por terra, mar ou ar e destruir qualquer material suspeito de estar relacionado a armas de destruição em massa.

A medida também amplia o embargo ao comércio de armas com a Coreia do Norte, proibindo que o país venda tanto armamento pesado quanto armas leves.

Segundo Jonathan Beale, correspondente da BBC em Washington, o governo americano estaria monitorando o movimento de navios norte-coreanos para se assegurar que eles não desobedeçam às resoluções da ONU.

De acordo com Beale, o governo Obama também alertou bancos norte-americanos de que o governo norte-coreano poderia recorrer a práticas fraudulentas para tentar contornar as sanções financeiras.

Nesta quinta-feira, os governos da Rússia e da China - tradicionais aliados de Pyongyang - fizeram um apelo para que a Coreia do Norte volte a negociar o desmantelamento de seu programa nuclear.

Notícias relacionadas