Protestos causaram 10 mortes, diz TV do Irã

Iranianos desafiam o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei
Image caption Protestos desafiaram esquema de segurança em Teerã no sábado

Pelo menos 10 pessoas morreram em confrontos com a polícia nos protestos de sábado em Teerã, afirmou a televisão estatal iraniana.

A TV oficial noticiou que "terroristas" foram mortos durante confrontos com a polícia. Segundo a televisão, manifestantes colocaram fogo em dois postos de gasolina e uma mesquita, e atacaram um posto militar. Inicialmente, a televisão havia informado que 13 pessoas haviam morrido, mas o número foi alterado nos boletins mais recentes.

As informações não foram confirmadas por meios independentes, já que o governo do Irã restringiu o trabalho da imprensa no país.

Há relatos de que o domingo está sendo calmo nas ruas de Teerã. A TV estatal iraniana noticiou que a polícia afirmou ter restabelecido a ordem na cidade.

Os manifestantes protestam desde o fim das eleições de 12 de junho, que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad, com 63% dos votos. Simpatizantes do candidato derrotado, Mir Hossein Mousavi, dizem que houve fraude e pedem a anulação do pleito.

Em outros protestos durante a semana passada, outras dez pessoas teriam morrido, segundo a Anistia Internacional. Os protestos são os maiores do tipo no Irã desde a Revolução Islâmica, de 1979.

Família presa

Testemunhas disseram que a polícia usou cacetetes, gás lacrimogêneo e canhões de água contra os manifestantes nos protestos de sábado. Os protestos estenderam-se até tarde da noite.

A TV estatal iraniana noticiou que cinco integrantes da família de uma das personalidades mais poderosas do Irã, o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, foram presas durante os protestos.

A filha de Rafsanjani, Faezeh, que fez um discurso a apoiadores de Mousavi na terça-feira, está entre os presos. Rafsanjani é rival político de Ahmadinejad. Ele não tem se manifestado nos últimos dias, mas acredita-se que ele está atuando nos bastidores da oposição.

Um correspondente da BBC em Teerã disse ter visto uma pessoa tomar um tiro e outras ficarem feridas.

Os protestos de sábado aconteceram apesar do alerta do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, contra novas manifestações nas ruas. Ele exigiu que o povo aceite a vitória eleitoral de Ahmadinejad.

Em uma nota divulgada em seu site na Internet, o candidato derrotado Mir Hossein Mousavi disse que as autoridades iranianas estão roubando o direito do povo do país de ter uma eleição justa. Ele também afirmou que o país seguirá "caminhos perigosos" se protestos pacíficos não forem permitidos.

Em Washington, o presidente dos Estados Unidos fez um apelo ao governo iraniano no sábado pelo fim de qualquer "ação injusta contra o seu próprio povo".

Obama afirmou que os líderes do Irã deveriam "governar por consenso, não coerção".

O presidente americano divulgou uma nota afirmando que "os direitos universais de assembleia e livre expressão têm que ser respeitados, e os Estados Unidos apoiam todos aqueles que tentam exercer esses direitos".

Foi o segundo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos sobre a crise no Irã. Na sexta-feira, ele afirmara que "o mundo está observando" os desdobramentos no país.

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