Opositor desafia governo e promete novos protestos no Irã

Mir Hossein Mousavi em um protesto em Teerã (arquivo)
Image caption Mir Hossein Mousavi não foi visto em púbico nos últimos dias

O principal líder da oposição no Irã, Mir Hossein Mousavi, afirmou nesta quinta-feira que não vai desistir de sua campanha para anular o resultado das eleições presidenciais do último dia 12, que deram a vitória para o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Em sua primeira declaração em quatro dias, Mousavi escreveu em sua página na internet que a votação foi uma "grande fraude". O opositor alega que os responsáveis por essa fraude são também os culpados pela onda de violência depois do anúncio dos resultados.

O líder da oposição iraniana, que já foi primeiro-ministro, diz ter sido alvo de recentes "pressões" com o objetivo de fazer com mudasse de opinião sobre a reeleição de Ahmadinejad.

"Não vou parar de lutar pelos direitos do povo iraniano devido a interesses pessoais e medo de ameaças", acrescentou Mousavi.

O opositor também pediu que os próximos protestos sejam realizados de uma forma que não "gere tensão".

Restrições

Mousavi, que também é dono do jornal Kalameh, reclamou de restrições que teriam sido impostas pelas autoridades iranianas e afirmou que o grupo de mídia do qual é proprietário tem sido vítima de perseguição.

"Meu acesso ao povo está completamente restrito", escreveu o líder opositor, que não é visto em público há dias. "Nossas duas páginas na internet tiveram muitos problemas, o jornal Kalameh Sabz foi fechado e seus editores foram presos."

"Isso não contribui de forma alguma para melhorar o clima no país e vai nos levar para um clima ainda mais violento", acrescentou.

Um correspondente da BBC em Teerã afirma que a declaração de Mousavi é um desafio direto ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Dia de luto

Os líderes da oposição no Irã haviam convocado um dia de luto nesta quinta-feira pelas vítimas da repressão aos protestos, mas relatos indicam que a manifestação teria sido cancelada.

De acordo com Jon Leyne, jornalista da BBC que esteve em Teerã durante o início das manifestações, há sinais de que o governo está começando a retomar o controle do país, com menos protestos nas ruas. Mas, segundo Leyne, não há sinais de que a oposição tenha desistido.

Testemunhas dizem que a tropa de choque da polícia iraniana teria disparado bombas de gás lacrimogêneo, feito disparos para o alto e espancado manifestantes que desafiaram a proibição aos protestos no centro de Teerã.

Segundo a imprensa iraniana, apenas 105 dos 290 parlamentares convidados para um evento de comemoração pela vitória de Ahmadinejad nas eleições compareceram à cerimônia.

Cerca de 50 parlamentares iranianos são reformistas e não eram esperados no evento. Mas o correspondente da BBC em Teerã, Jeremy Bowen, diz que o alto número de parlamentares que não apareceu é outra indicação de que a eleição dividiu o país.

Estima-se que centenas de manifestantes de oposição e ativistas foram presos e pelo menos 17 pessoas morreram em protestos realizados desde as eleições do último dia 12.

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