AF 447: autoridades identificam passageiro britânico entre corpos resgatados

Operação de resgate (arquivo)
Image caption Autoridades confirmam que as buscas no mar continuam

A empresa de engenharia Subsea 7, do setor de prospecção de petróleo e gás, anunciou que as autoridades brasileiras identificaram um dos corpos resgatados de passageiros do voo AF447 como sendo de um funcionário da empresa, o britânico Graham Gardner.

Segundo nota divulgada nesta sexta-feira, a viúva de Gardner, Joyce, disse: "Eu me sinto aliviada e grata porque agora vou poder levar Graham para casa, que é o lugar dele."

"As autoridades nos mantiveram informados a cada passo, e nós sabemos que as equipes de resgate fizeram tudo o que podiam. A incerteza de não saber se o corpo de Graham seria encontrado foi o mais difícil de enfrentar", afirmou a viúva.

A bordo do avião havia pessoas de um total de 32 nacionalidades.

Identificações

De acordo com nota divulgada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, já foram identificados 14 corpos.

As equipes de busca resgataram 51 corpos de um total de 228 de vítimas do acidente do voo da Air France que caiu no Atlântico no dia 31 de maio.

A Air France afirmou na quinta-feira que o corpo do piloto e de um tripulante do Airbus 330 também foram identificados. Em uma nota à imprensa, o diretor-geral da companhia aérea, Pierre-Henri Gourgeon, prestou suas condolências às famílias dos funcionários da empresa.

Segundo órgãos da imprensa francesa, o piloto seria Marc Dubois, de 58 anos. De acordo com a Air France, o piloto do Airbus 330 tinha 11 mil horas de voo. Dessas, segundo a Air France, 1,7 mil tinham sido acumuladas em aviões Airbus A330 e A340.

Além dos corpos, as equipes de busca recolheram destroços da aeronave e bagagens, mas os trabalhos de resgate continuam e não têm data para serem encerrados.

O voo deixou o Rio de Janeiro com destino a Paris no dia 31 de maio às 19h30 (horário de Brasília). Às 22h48, o avião saiu da cobertura do radar de Fernando de Noronha.

O BEA, órgão francês que investiga as causas do acidente, informou, na quinta-feira, que divulgará o primeiro relatório preliminar sobre o acidente no dia 2 de julho.

Enquanto isso, prosseguem também as buscas pelas caixas pretas, cujos sinais são emitidos por no mínimo 30 dias, de acordo com o BEA.

Segurança do Airbus

A Agência Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) anunciou, na noite de quinta-feira, que está investigando dois incidentes recentes envolvendo aviões Airbus A330 - sendo um deles da TAM.

O voo da companhia aérea brasileira que está sendo investigado é um que fazia a rota entre Miami e São Paulo no dia 21 de maio.

O outro incidente teria ocorrido na última terça-feira, entre Hong Kong e Tóquio, em um voo operado pela Northwest Airlines, que pertence à companhia americana Delta.

Nos dois casos, o sistema de sensores de velocidade e altitude apresentou falhas durante o voo - um problema que se suspeita ter ocorrido com o Airbus A330 da Air France que caiu no Oceano Atlântico no último dia 31 de maio, com 228 pessoas a bordo.

Sistema de back-up

Segundo um comunicado da NTSB, os pilotos do voo JJ8091 da TAM inicialmente "perceberam uma queda abrupta na temperatura externa indicada, seguida de uma perda das informações de velocidade primária e altitude".

Ainda de acordo com a agência americana, o piloto automático se desconectou e a tripulação brasileira teve de recorrer a instrumentos de back-up, até conseguir restabelecer os dados, cerca de cinco minutos depois.

"O voo aterrissou em São Paulo sem mais problemas, e não houve feridos nem danos à aeronave."

Já o voo da Northwest Airlines teria passado por "um incidente possivelmente semelhante", disse o comunicado da NTSB, que não forneceu mais detalhes sobre o voo, apenas de que não houve vítimas nem danos.

Troca

Após o acidente do dia 31 de maio, a Air France anunciou que ia acelerar o programa de trocas do sensores de velocidade de sua frota de A330 e A340, iniciado em abril.

A Airbus informou, em entrevista à BBC Brasil, que os novos sensores de velocidade dos aviões da empresa já estavam disponíveis desde 2006 e que uma recomendação para a troca desse equipamento também havia sido feita no mesmo ano, apesar de não ser obrigatória.

Os sensores, chamados "Pitot", medem a pressão do ar e permitem informar a velocidade do avião. Os cálculos da velocidade são utilizados por vários sistemas do avião. Os modelos A330 possuem três sistemas "Pitot" independentes.

Segundo a agência de notícias americana Bloomberg, nos Estados Unidos, as companhias United Airlines, Delta e US Airways, além da irlandesa Air Lingus, teriam anunciado que acelerariam a troca dos sensores suas frotas de Airbus.

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