Ministros do G8 'deploram' violência no Irã

Violência no Irã
Image caption A violência começou após as eleições presidenciais

Os ministros das Relações Exteriores do grupo G8, que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia, lamentaram a violência no Irã e pediram o fim da crise no país, em um comunicado divulgado nesta sexta-feira em Trieste, na Itália.

Os ministros afirmam que “respeitam totalmente” a soberania do Irã, mas “deploram a violência que sucedeu as eleições no país e que causou a morte de vários civis iranianos”.

“Nós expressamos nossa solidariedade com aqueles que sofreram repressão enquanto se manifestavam pacificamente e pedimos ao Irã que respeite os direitos humanos fundamentais”, diz a nota.

“A crise deve ser resolvida em breve através do diálogo democrático e de meios pacíficos”.

O Irã vive uma onda de protestos desde que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado o vencedor das eleições. O candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi, insiste que houve fraude a favor de Ahmadinejad e exige a convocação de uma nova eleição.

Os ministros do G8 pediram ainda que as autoridades iranianas garantam que o processo eleitoral do país “reflita a vontade do povo iraniano”. O grupo afirmou também que as portas estão abertas para o diálogo com o país.

Rússia

Os comentários dos ministros do G8 sobre a situação no Irã não foram tão firmes quanto o que desejavam os representantes da França e da Itália, mas a Rússia alertou o grupo para que não isolasse o país.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que negociar com o Irã era a palavra-chave. Ele alertou ainda que a necessidade de manter o foco na “principal tarefa: avançar na solução das questões que envolvem o programa nuclear iraniano”.

Segundo Lavrov, “ninguém estaria preparado para condenar o processo eleitoral porque se trata de um exercício na democracia”.

O encontro ministerial em Trieste é a primeira reunião de representantes do alto escalão de países do Ocidente desde o início da violência no Irã, depois das eleições do dia 12 de junho.

O principal tema da agenda do encontro seria a estabilização do Afeganistão. Por isso o Irã, vizinho do país, foi convidado a participar da reunião.

No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, decidiu, de última hora, não participar da reunião.

Punição

Antes da divulgação do comunicado dos ministros do G8, um porta-voz do Conselho dos Guardiões, orgão que supervisiona as eleições no Irã, disse que as eleições foram “justas”.

“Nós não tivemos fraude em nenhuma eleição presidencial e esse foi o pleito mais limpo que jamais tivemos”, disse Abbasali Kadkhodai à agência de notícias Irna.

O correspondente da BBC em Teerã, Jeremy Bowen, afirmou que o comentário do porta-voz, feito dois dias antes da divulgação do resultado da revisão final do Conselho, sugere que a conclusão do grupo é apenas uma formalidade.

Mais cedo, o clérigo extremista Ahmad Khatami disse nesta sexta-feira durante um sermão que os líderes dos protestos devem ser tratados com “severidade e sem piedade”.

“Quero que o judiciário puna os líderes dos protestos com firmeza e sem demonstração de piedade para ensinar a todos uma lição”, disse Khatami durante um sermão na Universidade de Teerã.

Washington

Além dos conflitos internos no Irã, um desentendimento entre Teerã e Washington começa a ficar acentuado.

Ahmadinejad já alertou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para não interferir nos assuntos internos do Irã. A afirmação de Ahmadinejad foi feita depois que o líder americano condenou a atitude das autoridades iranianas durante a crise no país.

Obama, no entanto, usou uma coletiva de imprensa ao lado da chanceler alemã Angela Merkel, para reforçar a crítica ao governo.

O presidente dos Estados Unidos elogiou os manifestantes que protestaram contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad e disse que eles teriam demonstrado “coragem frente à brutalidade”.

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