Vitória livra brasileiros de ‘vergonha’ na África do Sul

Lúcio ergue a taça da Copa das Confederações após a final
Image caption O capitão Lúcio fez o terceiro gol do Brasil na final contra os EUA

A vitória, de virada, da seleção brasileira neste domingo sobre os EUA por 3 a 2 fez o time escapar de "passar vergonha", na opinião de torcedores presentes no no estádio Ellis Park, em Johanesburgo.

“Ia ser uma vergonha total”, diz Mariana, moradora da cidade que, com amigos, veio prestigiar o time de Dunga e não esperava nada menos do que a vitória.

“Como poderia explicar perder para os EUA? um time que tinha sido goleado pelo Brasil há uma semana por 3x0?”

Seu amigo, o sul-africano Stephen, disse ter ficado contente com o resultado.“O time mostrou garra. Venceu o melhor”, disse.

Com o resultado, o Brasil foi o campeão da Copa das Confederações 2009.

Mas a seleção brasileira sofreu para vencer o time americano.

Durante o primeiro tempo a seleção dos EUA viveu o sonho de conquistar o título.

Contra um Brasil que não se encontrava em campo, os EUA abriram o placar com Dempsey e ampliaram a vantagem com o astro Landon Donavan.

O time de Dunga voltou ao segundo tempo mais focado e logo nos primeiros minutos Luis Fabiano descontou para o Brasil.

A seleção continuou pressionando e teve um gol legítimo de Kaká não marcado pelo árbitro. Mas o time conseguiu o empate através de Luis Fabiano e a virada com uma cabeçada do capitão Lúcio.

África do Sul x Espanha

Também neste domingo, a Espanha conquistou o terceiro lugar na competição ao vencer os donos da casa em uma partida repleta de drama e reviravoltas.

A África do Sul não havia marcado nenhum gol em três dos quatro jogos disputados até então no torneio e seus únicos gols foram anotados contra a fraca Nova Zelândia.

A seca de gols se prolongou até a primeira hora do confronto com os espanhóis esta tarde em Rustemburg. Mas aos 19 do segundo tempo, o subsituto Katlego Mphela abriu o placar.

Os sul-africanos já se imaginavam com a mão na medalha de bronze quando o espanhol Daniel Guiza, também substituto, marcou dois gols em um minuto, virando a partida.

Mas com três minutos de acréscimo, Mphela, de falta, empatou novamente o jogo, levando a decisão para a prorrogação.

O jogo seguiu equilibrado até a metade da prorrogação, quando, cobrando falta, Xabi Alonso marcou o gol da vitória espanhola.

O desempenho inesperado dos Bafana Bafana (apelido da seleção sul-africana) foi bastante elogiado pela torcida e comentaristas do país.

O técnico, o brasileiro Joel Santana, também elogiou, dizendo que “os Bafana jogaram muito bem. Eles cederam dois gols com facilidade, mas no geral, jogaram bem”.

“A defesa fez sua função bem e os gols foram ótimos. Mas isso é futebol e parabéns para a Espanha”, disse ele.

Balanço final

Pouco antes do jogo final entre Brasil e EUA, a cerimônia de encerramento da Copa das Confederações viu um belo espetáculo que reuniu cantores, músicos e dançarinos no estádio Ellis Park. Entre as presenças ilustres, destaque para a do presidente Jacob Zuma.

A Copa das Confederações é considerada um torneio preparatório, realizado pelo país sede um ano antes a Copa do Mundo. Uma das metas é detectar eventuais problemas com tempo hábil para solucioná-los.

O torneio de 2009 mostrou-se mais organizado do que muitos temiam, sem maiores incidentes no quesito segurança, um dos pontos considerados potencialmente mais problemáticos.

Os estádios que já estão prontos foram bastante elogiados, adequando-se aos padrões internacionais.

As críticas concentram-se ao sistema de transporte, especialmente o escoamento da torcida após os jogos e o tamanho da malha hoteleira, considerada pequena para o grande número de turistas previstos para o ano que vem.

Outra crítica que surgiu no decorrer do torneio foi às vuvuzelas, as cornetas típicas dos torcedores sul-africanos. Esrangeiros, especialmente europeus, pediram pela sua proibição por causa do barulho que elas fazem.

Mas a Fifa acatou o argumento da população local, de que a vuvuzela é parte da forma sul-africana de apreciar o futebol, e descartou banir o instrumento.