Exilado por golpe, presidente de Honduras nega ter renunciado

Manifestantes protestam contra deposição de Zelaya em frente ao palácio presidencial em Tegucigalpa
Image caption Centenas de simpatizantes de Zelaya protestaram contra sua deposição

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, detido e exilado por um golpe militar neste domingo, negou ter renunciado ao cargo, após a divulgação de uma suposta carta de renúncia no Congresso.

Após a leitura da carta em que Zelaya supostamente pediria sua renúncia, o Legislativo aprovou o seu afastamento do cargo e designou o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, como presidente interino até janeiro de 2010, quando terminaria o atual mandato presidencial.

Em declarações à imprensa da Costa Rica, para onde foi mandado nas primeiras horas do domingo, Zelaya disse que o que ocorreu no seu país foi “uma conspiração política apoiada por um golpe militar”.

“Nunca renunciei e não vou usar esse mecanismo”, afirmou Zelaya. “Isso é mais um crime”, disse.

A suposta carta de renúncia lida pelo Congresso tem data do dia 25 de junho.

Crise política

O golpe militar que expulsou Zelaya do país ocorreu após dias de uma intensa crise política no país, por conta de um projeto do presidente para consultar a população sobre uma possível reforma constitucional.

O plano do presidente foi considerado ilegal pelo Congresso e pela Justiça do país e enfrentava a oposição também do Exército. Ainda assim, Zelaya havia decidido realizar a consulta popular neste domingo.

A oposição o acusava de querer mudar a Constituição para permitir sua reeleição, mas o presidente afirmava que não seria candidato a um novo mandato e que uma eventual mudança constitucional somente beneficiaria seus sucessores.

Centenas de pessoas saíram às ruas da capital, Tegucigalpa, para protestar contra a prisão e o exílio de Zelaya.

Tropas do exército dispararam bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar os manifestantes.

Reação

Em uma reunião de emergência em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o que chamou de “golpe de Estado” em Honduras.

A OEA se havia dito preocupada com as consequências que um enfrentamento entre os diferentes poderes poderia ter sobre "o processo político institucional democrático e o exercício legítimo do poder".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Honduras que “respeite as normas democráticas e o Estado de direito”. A prisão de Zelaya também foi condenada pela União Européia.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado político de Zelaya, acusou o “império ianque” pela derrubada do presidente hondurenho.

Em uma nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro disse "condenar de forma veemente a ação militar" que tirou Zelaya do poder e o levou para fora do país.

A nota diz que "ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região" e pede que Zelaya seja reposto "incondicionalmente" em seu posto.

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