Soldados americanos se retiram de cidades iraquianas

Forças de segurança iraquianas patrulham o centro de Bagdá
Image caption Cerca de 131 mil militares dos EUA estão no Iraque

As tropas americanas se retiraram nesta terça-feira de cidades e outros centros urbanos do Iraque, entregando formalmente as tarefas de segurança às forças iraquianas seis anos depois da invasão do país.

A retirada está sendo comemorada pelos iraquianos e primeiro-ministro, Nouri Al-Maliki, declarou esta terça-feira um feriado, o Dia Nacional da Soberania. Na capital, Bagdá, foi organizada uma grande festa para marcar a véspera da retirada, na segunda-feira.

Apesar da retirada das tropas americanas das cidades e centros urbanos, soldados americanos continuarão atuando junto às forças iraquianas, fora dos limites das cidades e prontos para intervir se forem chamados pelas forças iraquianas.

Comandantes das forças americanas afirmam que a segurança e a estabilidade estão melhorando no país, e que as forças iraquianas estão prontas para assumir as tarefas de segurança.

Entretanto, nesta terça-feira, um carro-bomba explodiu por volta das 18h (hora local, fim da manhã no Brasil) na cidade de Kirkuk, no norte do país, deixando pelo menos 25 mortos.

Leia mais na BBC Brasil sobre o atentado

E horas antes do início da retirada, à meia-noite, quatro soldados americanos foram mortos em combate.

Os militares americanos informaram que os quatro soldados serviam em Bagdá, mas não deram mais detalhes. Eles morreram devido a "ferimentos relacionados a combate", de acordo com declaração oficial.

Desafio

A promessa do governo dos Estados Unidos é de que as operações de combate lideradas por forças americanas no país terminem em setembro de 2010, e que todos os soldados se retirem do Iraque até o final de 2011.

Segundo o analista de assuntos de defesa e segurança da BBC Rob Watson, embora a saída dos centros urbanos seja importante, a verdadeira retirada das forças de combate dos Estados Unidos, no ano que vem, será um desafio ainda maior.

O sucesso dessa operação, segundo Watson, depende dos líderes políticos iraquianos e de sua capacidade de lidar com os grandes problemas e tensões no país.

Cerca de 131 mil militares americanos estão no Iraque e a previsão é de que pelo menos 128 mil deles permaneçam no país até as eleições nacionais iraquianas, previstas para janeiro do ano que vem.

Festa

O correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir informou que ocorreram concertos de música pop nos parques da capital iraquiana, festas nas ruas e até mesmo os postos de fiscalização foram enfeitados com flores.

Por outro lado, houve um aumento na segurança - todas as licenças da polícia foram canceladas devido ao temor de ataques com bombas.

Segundo Muir, para muitos iraquianos este é um momento de renovação nacional e quase todos estão felizes com a retirada dos soldados americanos.

"No entanto há ansiedade também, especialmente depois dos recentes ataques com bombas. Eles tinham como alvo áreas xiitas, o tipo de provocação que desencadeou uma espiral de violência sectária que quase levou o país à guerra civil há dois ou três anos atrás", afirmou o correspondente.

Iraque ''preparado''

O embaixador americano para o Iraque, Christopher Hill, afirmou que, mesmo não havendo uma grande redução no número de homens dos Estados Unidos no país até o ano que vem, a retirada das cidades é um “marco”.

“Sim, nós consideramos que o Iraque está preparado, e o Iraque também se considera preparado”, afirmou.

“Nós passamos muito tempo trabalhando bem próximos aos serviços de segurança iraquianos…eu considero que chegou a hora (da retirada das cidades).”

Hill também ressaltou que ainda haverá “muitos meios de combate americanos no Iraque nos próximos meses”.

“Depois de 30 de junho, mesmo com as forças de combate americanas fora das cidades e vilas, nós ainda estaremos no Iraque.”

A retirada das cidades acontece dois anos após o grande aumento no número de tropas no país entre fevereiro e junho de 2007, quando o total de soldados americanos no Iraque chegou a 168 mil.

Apesar da diminuição na violência, nos últimos meses houve novos ataques. Nos últimos dez dias, quase 170 pessoas morreram em atentados em Bagdá e Kirkuk.

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