Após derrota do governo nas urnas, outro ministro renuncia na Argentina

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, durante entrevista coletiva na última segunda-feira (AP)
Image caption Governo de Cristina Kirchner perdeu maioria no Congresso

O secretário argentino dos Transportes (equivalente ao cargo de ministro no Brasil), Ricardo Jaime, pediu demissão “de forma indeclinável” nesta quarta-feira, três dias após a derrota do governo da presidente Cristina Kirchner nas eleições legislativas do último domingo, que fizeram com que os governistas perdessem a maioria que tinham no Congresso Nacional.

Em sua carta de demissão, o ministro afirmou que a renúncia à chefia da pasta – que conta com um dos principais orçamentos do governo – foi motivada por “questões pessoais”, mas a imprensa argentina especula que o ato está relacionado com a derrota do governo nas urnas.

“As consequências do violento castigo que o governo recebeu domingo nas urnas não demoraram. A presidente aceitou a renúncia do questionado ministro dos Transportes, um dos homens fortes do kirchnerismo”, publicou o jornal Clarin, em sua edição online.

Segundo o jornal La Nación, Jaime estava sendo “questionado” pela oposição por medidas como a reestatização da companhia aérea Aerolíneas Argentinas e pelo uso supostamente indevido de um avião particular.

Reformas

Emissoras de rádio e de televisão também especulam que o resultado do pleito pode fazer com que o governo faça mudanças em outros ministérios, entre eles, o da Economia.

Segundo a rádio Diez, uma eventual reforma ministerial pode provocar, inclusive, uma mudança na política econômica do governo.

Procurados pela BBC Brasil, assessores do governo, no entanto, não confirmaram as informações de uma possível reforma ministerial ou de novas demissões.

Em uma entrevista na segunda-feira, a presidente Cristina Kirchner já havia descartado a substituição de ministros.

Saúde

Também nesta quarta-feira, tomou posse o novo ministro da Saúde do país, Juan Carlos Manzur, que substitui Graciela Ocaña, que renunciou na última segunda-feira em meio ao avanço do surto de gripe suína na Argentina.

Ocaña renunciou no dia seguinte às eleições legislativas e não fez declarações à imprensa.

Analistas argentinos, como Joaquín Morales Solá, do La Nación, afirmam que a ex-ministra não era recebida pela presidente para discutir medidas de combate à gripe suína e teria esperado passar a eleição para pedir demissão.

A derrota do governo nas urnas também fez com que o ex-presidente Néstor Kirchner deixasse, na última segunda-feira, a Presidência do Partido Justicialista, a maior legenda do país.

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