Bebês tirados de famílias da China foram vendidos, diz jornal

Bebê chinês (arquivo)
Image caption Famílias de regiões rurais da China têm permissão para ter só dois filhos

As autoridades do sudoeste da China estão sendo acusadas por um jornal de tirar bebês de famílias que desrespeitaram a política de controle da natalidade e vender as crianças para adoção por famílias estrangeiras.

Uma investigação do Southern Metropolis, publicação de propriedade do governo, descobriu que cerca de 80 meninas da província de Guizhou foram levadas de suas famílias e vendidas por US$ 3 mil (cerca de R$ 5,8 mil) para estrangeiros.

Os bebês, que teriam sido levados pelas autoridades locais, seriam de famílias que não puderam ou se recusaram a pagar as altas multas impostas a casais que têm mais filhos do que o permitido.

Na zona rural da China, as famílias têm permissão para ter dois filhos. Nas áreas urbanas, apenas um filho.

Se as famílias da zona rural insistem em ter mais que dois filhos, são obrigadas a pagar cerca de US$ 3 mil, equivalente vários anos da renda familiar de muitos fazendeiros chineses.

De acordo com o correspondente da BBC em Pequim Quentin Sommerville, esta política é muito impopular entre os moradores da zona rural.

Confiscadas

Segundo o Southern Metropolis, os bebês foram levados para orfanatos e vendidos como se fossem órfãos para casais dos Estados Unidos e países europeus.

As autoridades locais podem ter falsificado documentos para completar a transação, e a taxa da adoção foi dividida entre orfanatos e as autoridades locais, diz o jornal.

Sommerville afirma que o tráfico de crianças é muito frequente na China.

Uma diretriz do governo chinês de 2006, que tornou as regras de adoção por estrangeiros mais severas, não teria conseguido amenizar o problema, devido à corrupção local.