China prende 1.434 em onda de violência

Tropas chinesas
Image caption Polícia chinesa patrulha ruas de Ürumqi

A polícia chinesa prendeu 1.434 pessoas por conta dos choques na província de Xinjiang, iniciados no fim de semana, informou a mídia oficial nesta terça-feira.

Os choques eclodiram no domingo, na cidade de Ürumqi - capital de Xinjiang - causando a morte de 156 pessoas e deixando mais de 800 feridas.

Na segunda-feira, os violentos protestos chegaram até Kashgar, onde a polícia dispersou mais de 200 "manifestantes" na principal mesquita da cidade.

O governo chinês culpa os muçulmanos da etnia uigur pela violência, mas uigures exilados afirmam que a polícia atirou contra manifestantes durante o que chamaram de "um protesto pacífico".

Confrontos

Os protestos ocorreram depois que dois migrantes uigures teriam sido mortos por um homem da etnia han (maioria na China) em uma briga, no mês passado, em uma fábrica na cidade de Shaoguan, na província de Guangdong, no sul da China.

O confronto teria deixado ainda 118 feridos.

A violência causou preocupação internacional. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que os dois lados exercitem a moderação. Os governos americano e britânico reforçaram o pedido.

A agência oficial de notícias chinesa Xinhua informou na segunda-feira que a polícia acredita que "agitadores" estariam "tentando organizar mais choques" em outras cidades em Xinjiang, uma região montanhosa e desértica que faz fronteira com a Ásia central.

A polícia afirma ter informações de que estariam sendo planejados protestos nas cidade de Aksu e Yili, uma região atingida pela violência étnica no fim dos anos 90.

Calma em Ürumqi

Uma relativa calma voltou às ruas de Ürumqi nesta terça, onde a polícia paramilitar patrulhava o principal mercado da cidade - uma vizinhança de predominância uigur - carregando cacetetes, varas de bambu e estilingues.

As informações são de que os serviços de telefonia celular estão bloqueados e as conexões de internet foram suspensas, ou estão lentas.

Testemunhas e a mídia estatal disseram que os manifestantes destruíram barreiras e atacaram casas e veículos, além de entrar em choque com a polícia no domingo.

A TV estatal mostrou imagens de manifestantes batendo e chutando pessoas caídas no chão.

Também há fortes imagens do que parecem ser chineses da etnia han sentados, com olhar atordoado e sangue correndo por seus rostos.

Wu Nong, o diretor de notícias do governo de Xinjiang, afirmou que mais de 260 veículos foram atacados e mais de 200 lojas e casas danificadas durante os protestos.

Um alto oficial do Partido Comunista em Xinjiang confirmou nesta terça-feira que 129 homens e 27 mulheres morreram nos choques em Ürumqi. Os números são mais altos do que os anunciados na segunda-feira.

A polícia afirma que alguns corpos foram recolhidos nas ruas depois dos choques. Outros, morreram nos hospitais.

Há diferentes versões para o que teria causado a violência.

O governo de Xinjiang culpou os separatistas uigures que vivem no exílio por orquestrar os ataques contra os chineses da etnia han.

Mas grupos uigures insistem que seu protesto foi pacífico e que eles foram vítima de violência por parte do Estado, com a polícia atirando indiscriminadamente contra os manifestantes em Ürumqi.

Liu Weimin, porta-voz da Embaixada Chinesa em Londres, disse ao programa World Tonight, da BBC, que forças extremistas estão envolvidas.

"O governo local de Xinjiang tem provas de que forças extremistas dentro e fora da China se comunicaram intensivamente antes do incidente eclodir no domingo", dise ele.

Rebiya Kadeer, a presidente exilada da Associação Americana Uigur, negou as acusações do governo chinês de que ela tenha incitado a violência.

Ela afirmou ter tomado conhecimento dos protestos através de websites e só ligou para sua família para aconselhá-los a ficar fora das manifestações.

Alguns analistas afirmam que os protestos de doingo foram os mais sérios na China desde o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989.

A província de Xijiang é majoritariamente muçulmana, e a comunidade uigur reclama do domínio do governo central chinês.

Segundo o correspondente da BBC na China Quentin Sommerville, a região tem sido palco de tensões há muitos anos.

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