Honduras: Zelaya pede sanções legais ao governo interino

Manuel Zelaya e Oscar Arias na Costa Rica
Image caption Manuel Zelaya e Oscar Arias na Costa Rica

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse, neste sábado, que o governo interino que o tirou do poder no país deveria enfrentar sanções legais.

Falando na República Dominicana, Zelaya não deu sinais de ter mudado sua posição mesmo após dois dias de negociações mediadas pelos Estados Unidos na Costa Rica.

As conversas se encerraram na sexta-feira, sem acordo.

Segundo mediadores, tanto representantes de Zelaya, como do presidente interino, Roberto Micheletti, disseram aceitar retomar as negociações em breve, mas alguns líderes latino-americanos acreditam que há poucas chances de progresso.

Ainda neste sábado, o ex-presidente de Cuba Fidel Castro disse que se Zelaya não voltar ao poder, haverá novos golpes militares na América Latina.

Estados Unidos

Zelaya e Micheletti se recusaram a ter um encontro frente a frente, mas se reuniram separadamente com o presidente costarriquenho, Oscar Arias. Ambos os líderes deixaram o país na quinta-feira, mas delegações dos dois lados continuaram as discussões.

Enquanto Zelaya voou para a República Dominicana em busca de mais apoio, o presidente interino voltou para a capital hondurenha, Tegucigalpa.

Na sexta-feira, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, - um dos principais aliados do presidente deposto, Manuel Zelaya - disse que as negociações na Costa Rica estavam "mortas" e que era "horrível ver o usurpador Micheletti ser tratado com deferência" por Oscar Arias.

Chávez também criticou o que ele chamou de "medidas tímidas" dos Estados Unidos em resposta à crise e exigiu saber por que os americanos não retiraram o embaixador de Honduras ou impuseram sanções.

Leia mais sobre as declarações de Hugo Chávez

Segundo analistas, o que vai acontecer em Honduras depende muito do que o governo americano fizer a partir de agora. Os Estados Unidos já cortaram a ajuda oferecida ao governo hondurenho, mas ainda não teriam feito uso de todo seu poder econômico e diplomático.

A crise política em Honduras começou depois que o presidente Zelaya tentou realizar um referendo sobre mudanças na constituição.

A oposição diz que isso levaria à remoção do limite de um mandato presidencial, permitindo que Zelaya abrisse o caminho para a própria reeleição. Manuel Zelaya foi obrigado a deixar o país sob a mira de uma arma no dia 28 de junho.

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