Paquistão inicia retorno de refugiados ao Vale do Swat

Ônibus com refugiados perto de Peshawar
Image caption As primeiras famílias já iniciaram viagem de volta ao Vale do Swat

O governo do Paquistão iniciou, nesta segunda-feira, uma operação para o retorno de parte dos 2 milhões de refugiados que abandonaram suas casas durante os conflitos contra insurgentes do Talebã no Vale do Swat, no noroeste do país.

Cerca de 200 famílias que estavam em campos de refugiados no distrito de Nowshera deveriam voltar para suas casas já nesta segunda-feira.

Informações divulgadas durante o dia, no entanto, dão conta de que menos de 50 famílias deixaram os campos de refugiados e algumas pessoas teriam se recusado a voltar.

Algumas das famílias estariam preocupadas se de fato receberão a ajuda prometida pelo governo para retornarem para suas casas. Outras estariam preocupadas com as condições de segurança da viagem de volta.

De acordo com o correspondente da BBC em Islamabad David Loyn, em um dos campos houve um protesto de refugiados que reclamavam do fato de não terem recebido os cartões de identificação necessários para que eles recebam alimentos e os recursos necessários para reconstruírem suas vidas.

O governo prometeu ajudar cada uma das famílias com 25 mil rúpias (cerca de US$ 306), mas a maioria delas não recebeu o dinheiro devido a problemas administrativos.

O governo do Paquistão afirma que a prioridade é o retorno das famílias que vivam em campos temporários.

Oficiais ainda afirmam esperar que mais famílias voltem nos próximos dias. Segundo as autoridades paquistanesas, 800 famílias devem retornar ao Vale do Swat na terça-feira.

Voluntário

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que o retorno para a região deve ser voluntário e, segundo correspondentes, muitos deverão depender de ajuda nos próximos meses.

O general Nadeem Ahmad, que lidera o Grupo Especial de Apoio do Exército Paquistanês, disse à BBC que cada família que deixa os campos de refugiados vai receber ajuda do governo.

Ahmad informou também que os refugiados serão informados sobre as condições de segurança em suas regiões antes de iniciarem a viagem de retorno e que espera a reativação gradual de serviços como fornecimento de água, gás e telecomunicações, antes que "bancos, postos de combustível, agências de correio, de passaportes e registros voltem a funcionar".

Ahmad acrescentou que os militares vão permanecer na região até que o governo da Província se sinta seguro e tenha estabelecido seus próprios recursos, um processo que poderá durar "um ano ou mais".

As forças de segurança paquistanesas lançaram uma ofensiva contra militantes do Talebã no Vale do Swat no final do mês de abril, após os insurgentes terem tomado o controle de uma região a cerca de 100 km da capital Islamabad.

Segundo os militares, cerca de 1,7 mil militantes foram mortos nos combates.

Grande parte da infraestrutura da região foi destruída durante os conflitos, que causaram um dos maiores deslocamentos de refugiados dos últimos tempos.

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