Ex-prefeito da capital de Ruanda é condenado por genocídio

Crânios de vítimas do massacre de Ntarama, em 1994, em Ruanda
Image caption Cerca de 800 mil pessoas foram mortas durante o genocídio de Ruanda

O Tribunal Penal Internacional para Ruanda sentenciou o ex-prefeito da capital do país, Kigali, à prisão perpétua por seu envolvimento no genocídio ocorrido em 1994.

O tribunal internacional - baseado em Arusha, na Tanzânia - condenou Tharcisse Renzaho por cinco acusações, incluindo genocídio, estupro e assassinato.

De acordo com os promotores, o ex-prefeito teve um papel importante no genocídio de Ruanda. Na época, Renzaho controlava a força policial e as autoridades locais de Kigali e foi acusado de incitar as mortes.

Ele foi preso no Congo em 2002 e nega as acusações.

Os promotores afirmaram que Renzaho ordenou que estradas fossem bloqueadas para que tutsis fossem atacados. Renzaho também foi acusado de distribuir as armas usadas durante os assassinatos.

"Renzaho teve um papel importante no início e no fim da operação", afirmou também o juiz Erik Mose.

Mose afirmou que o ex-prefeito de Kigali também se envolveu com a operação de retirada dos corpos, acrescentando que ele "fez observações encorajando o abuso sexual contra muheres (tutsi)".

Segundo a agência de notícias AFP, ele também foi condenado pelo massacre de mais de 100 tutsis em uma igreja no centro de Kigali.

O advogado de Renzaho, François Cantier, afirmou que vai entrar com recurso.

"Ele é inocente - ele fez o melhor para salvar o povo", teria dito o advogado depois da sentença. "Ele nunca quis que os estupros fossem cometidos."

Condenações

Jornalistas presentes no tribunal afirmaram que Renzaho fez anotações quando o veredicto foi lido e não expressou nenhuma emoção.

O tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) já julgou 39 suspeitos de genocídio e alguns deles receberam a sentença máxima de prisão perpétua - como Renzaho - e foram concedidas seis absolvições.

O tribunal internacional deveria encerrar suas atividades no final de 2008. Mas o Conselho de Segurança das Nações Unidas recentemente estendeu o prazo até o final de 2010 para o fim dos julgamentos.

O genocídio em Ruanda começou após o avião do presidente Juvenal Habyarimana ter sido derrubado em abril de 1994.

Nos cem dias seguintes, cerca de 800 mil pessoas, a maioria integrantes da etnia tutsi, foram mortas por milícias da etnia hutu.

O genocídio terminou quando rebeldes tutsis, liderados pelo atual presidente do país, Paul Kagame, assumiram controle do país.

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