Ministro argentino não descarta segunda onda de gripe suína na região

Argentinos usam máscaras como medida de prevenção. Foto: AP
Image caption Os representantes prometeram uma 'ação conjunta' de combate à doença

O ministro da Saúde da Argentina, Juan Manzur, disse, nesta quarta-feira, que não descarta a possibilidade de surgimento de uma “segunda onda” da gripe suína nos países do Cone Sul.

"Apesar de que temos alguns indícios de tendência de queda no número de consultas, não sabemos qual será o comportamento do vírus, se houver um segundo pico da doença”, disse.

As declarações de Manzur foram feitas após uma reunião, em Buenos, com outras autoridades da área de saúde dos países vizinhos.

Segundo o ministro, durante o encontro, que durou quase seis horas, os representantes trocaram informações sobre a situação em cada país.

“Concordamos que o H1N1 já corresponde a 85% ou 90% dos vírus das gripe na região. Na Argentina, registramos um total de 120 mil casos de gripes ao ano e, neste ano, 90% são do vírus H1N1”, afirmou Manzur.

O ministro argentino afirmou ainda que os representantes manifestaram preocupação sobre a disponibilidade do envio de vacinas para a região.

“Falamos ainda sobre a possibilidade de contar com a vacina para nossos países. E a OPS (Organização Pan-americana de Saúde) nos garantiu que este fornecimento será feito”, destacou.

Manzur citou ainda que os ministros definiram que os chamados “grupos vulneráveis” – pessoas com saúde mais frágil e com maior risco de morte – terão prioridade no tratamento da doença.

Cone Sul

Segundo dados oficiais divulgados na terça-feira, a Argentina registra 137 mortes provocadas pela nova gripe e 3.056 casos confirmados. Este número de vítimas fatais supera o do México, país onde o vírus foi inicialmente registrado e que já conta com 124 mortes pela doença.

O Chile, por sua vez, conta com mais de 10.491 casos e 33 mortes.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, reagiu às perguntas sobre o número de casos no país em comparação ao México e afirmou que prefere não comparar as estatísticas da doença.

"A Argentina é um país que conta bem suas cifras. E eu não gosto destes rankings"

O diretor do departamento de vigilância epidemiológica do Ministério da Saúde do Brasil, Eduardo Hage, que participou do encontro, disse que a situação no Brasil é diferente da Argentina e do Chile.

Segundo ele, a gripe suína não se alastrará no Brasil como nos demais países da região.

“Nós não temos o mesmo clima (que os vizinhos) no Brasil. Não temos o histórico que eles têm de alta intensidade de gripe nesta época do ano. A situação é diferente”, afirmou Hage.

Na reunião, a representante do governo chileno, Cecília Morales, da divisão de prevenção e controle de doenças do país, disse que existem “algumas diferenças” nas formas com as quais os países da região “notificam e confirmam” cada caso da nova gripe.

“Mas nesse momento precisamos não nos reter apenas nos números e manter as recomendações internacionais, com um olhar mais qualitativo de combate à doença, com maior atenção naquelas áreas onde foi registrado maior número de pessoas infectadas”, disse Morales.