Hillary Clinton tem conversa telefônica 'dura' com o líder interino de Honduras

Image caption Micheletti: "minha posição permanece inalterada".

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, teve uma conversa telefônica 'dura' com o líder interino de Honduras, Roberto Micheletti, nesta segunda-feira, segundo seu porta-voz. P.J.Crowley.

Micheletti lidera o governo que depôs o presidente eleito de Honduras, Manuel Zwelaya, em junho. Os EUA e a maior parte da comunidade internacional se opuseram à medida.

No fim de semana, fracassou uma nova tentativa de superar a crise em Honduras, mediada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

Leia mais na BBC Brasil: Negociações sobre crise em Honduras terminam sem acordo

"Ela (Clinton) o lembrou das consequências para Honduras se eles se recusarem a aceitar os princípios propostos pelo presidente Arias, que podem ter um impacto significante em termos de ajuda e consequências, possivelmente a longo prazo, para as relações entre Honduras e os Estados Unidos", disse Crowley.

Não está claro quais as sanções que podem ser aplicadas, mas os EUA fornecem US$ 180 milhões à Honduras de ajuda econômica.

Os EUA já suspenderam US$ 16,5 milhões em ajuda militar e podem suspender outros US$ 200 milhões em empréstimos multilaterais.

Image caption Muitos países consideram Zelaya o líder legítimo de Honduras.

União Europeia

Também nesta segunda-feira, a União Europeia anunciou a suspensão de cerca de US$ 92 milhões em ajuda ao país em retaliação à deposição do presidente Manuel Zelaya, ocorrida em 28 de junho.

"Tendo em vista as circunstâncias, tomei a difícil decisão de suspender toda a ajuda orçamentária", disse a comissária de Relações Internacionais do bloco, Benita Ferrero-Waldner.

"Apelo aos dois lados para que evitem qualquer ação ou declaração que possa aumentar ainda mais as tensões e tornar a possibilidade de solução mais difícil."

Apesar das reações internacionais, Micheletti disse nesta segunda-feira em um discurso a uma multidão presente no palácio presidencial que sua posição "permanece inalterada".

O governo de facto do país centro-americano continua se recusando a volta de Zelaya ao poder e diz que ele será preso se voltar ao país.

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias disse que Honduras estaria a um passo da guerra civil e pediu por novas negociações em 72 horas.

Image caption Conflitos deixaram pelo menos um morto em julho

Crise

O governo interino atual, liderado por Roberto Micheletti, diz que ele será preso se voltar ao país.

Tanto Zelaya como Micheletti pertencem ao mesmo partido, o Liberal. Seu presidente, Carlos Eduardo Reyna, disse que Zelaya pretende voltar a Honduras nesta sexta-feira.

Simpatizantes de Zelaya disseram que vão intensificar os protestos por sua volta e que planejam uma greve geral para a quinta-feira e sexta-feira.

Leia também: Após fracasso de negociações, partidários de Zelaya prometem 'resistência' em Honduras

Nenhum país reconheceu o governo interino de Honduras e tanto os Estados Unidos como a ONU e a OEA afirmaram reconhecer Zelaya como o presidente legítimo do país.

Uma tentativa fracassada de regresso de Zelaya a Honduras, a bordo de um avião emprestado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, no dia 5 de julho, deflagrou choques entre soldados e milhares de seus simpatizantes, deixando pelo menos um morto e dezenas de feridos.

Muitos temem novos episódios de violência se Zelaya tentar voltar novamente ao país.

Notícias relacionadas